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Não parece uma onda

Parece vencida, após as duas últimas pesquisas, a questão que ainda frequenta as reflexões de analistas políticos e observadores da cena eleitoral: se o crescimento de Marina se insere no que passou a se chamar de "onda", ou se tem consistência para levá-la ao segundo turno.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2014 | 04h23

Não parece onda e nem efeito da tragédia aérea que vitimou o titular da chapa presidencial do PSB, Eduardo Campos.

Até porque o ex-governador ainda não tinha uma biografia capaz de fazer com que seu trágico desaparecimento o transformasse em mito político.

O crescimento de Marina sugere mais a cristalização do sentimento geral contra os partidos, do que é sintoma o êxito de sua cruzada por uma "nova política", que já fazia parte do discurso de Campos, mas que só se materializou com a ascensão da ex-senadora a candidata.

É quando o novo ganha credibilidade junto ao eleitorado que não o identificava no PSB, mas passa a considerá-lo real na voz que a legenda abrigava em segundo plano e que, a rigor, não pertence a nenhum partido.

De carona, Marina passou a motorista capaz de convencer o eleitor da oportunidade de mudar hábitos e costumes, impondo uma nova forma de governar sem se privar - e nem ao País - dos quadros de excelência abrigados em outras legendas.

Por isso, o aceno do PSB para uma aliança de governo com PT e PSDB tem forte apelo junto ao eleitor desses dois partidos adversários, insatisfeitos com suas legendas.

A proposta surge como uma rede de segurança para o discurso do medo com a inexperiência gestora de Marina Silva e com a fragilidade do PSB - uma legenda média, sem parcerias capilares que possam projetar uma aliança parlamentar sólida.

Nesse caso, o argumento da oposição contra a candidata do PSB é seu maior trunfo eleitoral: não ter laços com o sistema em xeque que, por temê-la, negou-lhe a legenda com a qual concorreria contra, inclusive, o PSB.

O efeito Marina é maior que o impacto da morte de Eduardo Campos: ele reflete a demora da classe política em reagir ao gradativo e ostensivo repúdio da população às práticas políticas vigentes que, na era PT, ultrapassaram todos os limites, como mostrou o mensalão.

Eleição não se ganha de véspera, mas parece irreversível a ida de Marina ao segundo turno, restando ao PSDB esperar por uma queda ainda maior da presidente Dilma Rousseff, acossada pela economia em recessão e pelo agravamento do caso de corrupção na Petrobrás.

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