Não houve recuo; governo mostrou capacidade de reação, diz Bastos

O governo brasileiro decidiu hoje revogar a cassação do visto do jornalista Larry Rohter, do The New York Times, e deu o caso por encerrado. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, informou no início desta noite em São Paulo que vai se reunir com Luís Paulo Barreto, seu substituto no Ministério enquanto ele estava em Genebra, neste fim de semana ou no máximo até segunda-feira, quando assinarão um despacho reconsiderando a primeira decisão (cancelamento do visto do jornalista) para revogá-lo imediatamente. Bastos comentou que a decisão de aceitar o pedido de reconsideração do jornalista e revogar a medida que tecnicamente o expulsava do País foi tomada nesta sexta-feira por volta das 16 horas, numa conversa que ele manteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual deu sua opinião sobre a "consistência da retratação do jornalista". "O presidente decidiu dar o caso por encerrado à vista dessa retratação", disse o ministro. Informado pela Agência Estado de que o The New York Times ainda não tinha conhecimento da retratação do jornalista, o ministro respondeu: "Esta é uma questão com o jornalista, e não com o New York Times". Bastos disse ainda que, ao contrário de parecer um retrocesso, o episódio mostra a capacidade de reação do governo federal e a capacidade de o governo voltar atrás quando os fatos mudam. O ministro acrescentou que o Brasil agiu durante todo o período desse episódio de forma democrática. E insistiu que não houve recuo do governo. Ele informou ainda que o jornalista norte-americano foi assessorado pelo escritório Pinheiro Neto Advogados e que antes da retratação houve conversações com os advogados que estavam representando Larry Rohter. Finalmente, o ministro disse que a solução foi boa e que tudo termina bem. "Essas coisas acontecem em regimes democráticos", afirmou.

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