Wilson Dias/Agência Brasil
Wilson Dias/Agência Brasil

'Não houve problema em relação à polícia do Senado', diz Alexandre Moraes sobre Renan

Operação da Polícia Federal prendeu quatro agentes da Polícia Legislativa que teriam realizado contrainteligência em favor dos senadores Gleisi Hoffmann (PT), Fernando Collor (PTC), Lobão Filho (PMDB) e José Sarney (PMDB)

Eduardo Laguna e Valmar Hupsel, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2016 | 22h09

SÃO PAULO - O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, preferiu não entrar em polêmica com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), sobre a operação da Polícia Federal que prendeu nesta sexta-feira, 21, quatro agentes da Polícia Legislativa.

Questionado sobre as declarações dadas pelo peemedebista de que ele teria extrapolado ao falar sobre uma instituição que não é de sua alçada, Moraes respondeu não ter conhecimento dos comentários feitos por Renan, mas ressaltou que a operação foi deflagrada por ordem judicial.

"A decisão não foi da Polícia Federal ou do Ministério da Justiça. Foi do Poder Judiciário", afirmou o titular da pasta de Justiça e Cidadania do governo Temer, após proferir palestra no auditório da Faculdade de Direito da FMU, no centro da capital paulista. "Não é uma briga institucional. Não houve nenhum problema em relação à Polícia do Senado, e sim em relação a quatro integrantes da Polícia do Senado", acrescentou o ministro.

Mais cedo, ao comentar a operação que prendeu, temporariamente o diretor da Polícia Legislativa, Pedro Carvalho, e outros três policiais legislativos, Moraes disse a jornalistas que os policiais legislativos teriam extrapolado de suas funções. A acusação é de que os agentes tentaram atrapalhar investigações da operação Lava Jato, inclusive com a remoção de escutas telefônicas em imóveis ligados a três senadores - Edison Lobão (PMDB-MA), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Fernando Collor (PTC-AL) -, além do ex-senador e ex-presidente José Sarney.

Em resposta, Renan Calheiros emitiu nota na qual diz que a Polícia Legislativa exerce suas atividades dentro da lei e que a varredura de escutas restringe-se a detecção de grampos ilegais. O senador cobrou ainda que as instituições respeitem os limites de suas atribuições legais. Após isso, Renan disse em entrevista ao Broadcast Político que foi Moraes quem extrapolou ao tratar do trabalho da Polícia Legislativa, subordinada ao presidente do Senado. "Quem fala demais acaba dando bom dia a cavalo", disse.

Sobre a declaração de Renan, Moraes considerou que suas "frases" podem ter sido transmitidas de forma deturpada ao presidente do Senado. "Eu estava respondendo a uma pergunta de uma jornalista se estava havendo ma briga entre a Polícia Federal e a Polícia do Senado. Frases de minha declaração podem ter chegado deturpadas a ele."

Durante a entrevista, o ministro reiterou algumas vezes que não há qualquer problema entre as polícias Federal e do Senado. "O problema de um integrante nunca contamina a instituição, que é muito maior."

Segundo Moraes, as prisões foram decretadas porque tanto o Ministério Público quanto a Polícia Federal e o Poder Judiciário entenderam haver desvio de finalidade na atuação dos agentes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.