Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Não há vinculação direta entre pastas e apoio'

Para Picciani, reforma não esfria impeachment, mas rearranjo ministerial ajuda na correlação de forças do Congresso

Entrevista com

Leonardo Picciani (RJ), líder do PMDB na Câmara

Daniel Carvalho , O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2015 | 02h06

BRASÍLIA - Todo o esforço do governo para redesenhar seu mapa de ministérios e garantir o apoio do PMDB, maior partido da Câmara, contra eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff, pode ser em vão. Líder da bancada de 66 deputados, Leonardo Picciani (RJ) diz não haver "vinculação direta" entre oferta de cargos e pedidos de afastamento.

Em entrevista ao Estado, Picciani afirma ainda que o vice-presidente Michel Temer, presidente do PMDB, não está isolado na reforma ministerial, mas "feliz com o respeito que tem sido dado às bancadas do PMDB". Mais próximo ao governo, defende Dilma. "Governa quem venceu as eleições".

Como se deu sua aproximação com a presidente Dilma?

É necessário, neste momento, construir pontes de governabilidade que beneficiem o País. Quando os políticos ficam brigando é o povo que perde. A presidente Dilma venceu as eleições e governa quem venceu as eleições. Tenho ajudado em razão da legitimidade que ela tem.

O vice-presidente Michel Temer sai menor desta reforma, já que a presidente buscou no Congresso as indicações?

De forma nenhuma. Tenho certeza de que o presidente Temer fica feliz com o respeito dado às bancadas do PMDB.

A oferta de ministérios garante o apoio do PMDB?

A bancada tem ajudado mesmo sem se sentir representada em ministérios. Os ministérios sinalizam uma participação da bancada. Isso melhora o ambiente.

O governo pode contar com o PMDB para a manutenção do veto ao reajuste do Judiciário?

A bancada decidiu, por fechamento de questão, que votará contrária à derrubada do veto por entender que ele é inoportuno neste momento.

A oferta de ministérios tem força para esfriar o impeachment?

Não tem uma vinculação direta uma coisa com a outra, mas este rearranjo é necessário para construir um Ministério mais integrado com a correlação de forças do Congresso.

Quais as chances de o governo conseguir recompor sua base?

Muito em breve, a base estará absolutamente recomposta. A tese do impeachment não alcançou ainda um número majoritário de parlamentares.

O senhor é favorável à recriação da CPMF?

Além do corte de despesas, pode ser que seja necessário um incremento de arrecadação. Esta é a vida real. Considero a CPMF um imposto justo. Tem alíquota pequena, base ampla, é igual para todos, mas atinge, sobretudo, quem tem mais. Quem está preocupado com a CPMF não é quem gasta o que ganha. É quem gasta acima do que ganha, é quem tem caixa 2.

Eduardo Cunha já disse que a CPMF não será aprovada...

Respeito a posição do presidente, mas acho açodada porque a matéria não será votada hoje, tem um curso de tramitação.

O sr. se afastou de Cunha?

Minha relação (com Cunha) é exatamente a mesma. Não há nenhum afastamento. Mantemos uma relação pessoal boa, e uma relação política positiva. Temos diferenças de opinião.

Com o PMDB contemplado nesta reforma ministerial, há clima para desembarque do governo?

Essa é uma discussão que deve ser feita na convenção nacional (em março de 2016).

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