"Não há provas contra mim", diz Jader

O presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), está convencido de que o relatório do Banco Central (BC), no qual é acusado desvio de recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará), não passa de uma peça de caráter político, sem provas capazes de o incriminar. O senador entende que, das 3.500 páginas do relatório, apenas pouco mais de 60 possuem "relativa eficácia" em todo o trabalho dos inspetores do BC. "Essas páginas podem ter eficácia, mas não possuem consistência porque o próprio banco alegou não possuir provas contra mim", disse Jader.O senador comenta que, depois de examinar a "maçaroca" de papéis, observou que o inspetor Abrahão Patruni Júnior quebrou o sigilo bancário dele "sem ordem judicial". Além disso, Patruni Júnior fez o "caminho inverso" do resgaste de aplicações do Banpará. O inspetor teria deixado de lado 29 aplicações de outras pessoas e concentrado o trabalho apenas sobre Jader. "Dá para perceber que a intenção dele era arranjar qualquer coisa contra mim", disse."O que há, na verdade, é muita pirotecnia política e nenhum fundamento jurídico", afirma Jader. O senador disse que responsabilizará judicialmente aqueles que o atacaram de maneira "irresponsável e leviana".Em Brasília, o PMDB já admite a possibilidade de Jader prorrogar a licença do cargo por mais 60 dias. Essa hipótese foi levantada hoje, durante a reunião da bancada pelo líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL)."Jader afastou-se da presidência para tentar encontrar a verdade e, se for preciso, ele poderá prorrogar a licença - que vence em 20 de setembro", declarou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), admitindo que o assunto foi debatido na reunião da bancada. "O partido não vai tomar uma posição sobre o caso porque cabe ao Jader se defender."Nesta quinta-feira, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado reúne-se para dar início às investigações das denúncias envolvendo Jader em desvios de recursos do Banpará, sonegação de impostos e irregularidades na liberação de verbas da extinta Sudam. Para apurar as acusações, o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), deve criar uma comissão composta por três senadores. Segundo Mestrinho, o PMDB tem uma vaga garantida nesta comissão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.