'Não há nenhum crime', diz Gabrielli sobre Pasadena

Em depoimento à CPI mista da Petrobrás, ex-presidente da estatal rebateu acusações e disse ainda que compra de refinaria foi 'barata'

RICARDO BRITO, Agência Estado

25 Junho 2014 | 15h09

Brasília - O ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli afirmou em depoimento à CPI mista da Petrobrás no Congresso que não ocorreu nenhum crime ou irregularidade no processo que culminou na compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). “Não há nenhum crime, nenhuma ilegalidade no processo decisório”, defendeu ele, em resposta ao questionamento feito pelo deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Segundo Gabrielli, a estatal não tomou nenhum decisão irregular ou ilegal sobre a compra da refinaria. Numa tentativa de blindar a presidente Dilma Rousseff, ele disse não saber qual seria a posição que a Petrobrás tomaria em 2006, caso soubesse da existência das cláusulas omitidas ao Conselho de Administração da companhia. “Não sei e seria irresponsabilidade fazer qualquer inferência sobre isso”, afirmou.

'Barata'. Mais cedo, o ex-presidente chegou a afirmar ainda que a compra de toda a refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), foi “barata”, de acordo com os preços praticados no mercado atualmente. “Nós compramos uma refinaria barata, abaixo do preço de mercado”, disse. Segundo ele, a operação somente com a refinaria custou US$ 554 milhões, nas duas etapas de compra, em 2006 e 2012.

Gabrielli alegou ainda que o valor é um pouco mais do que a metade de aquisições semelhantes realizadas nos Estados Unidos, em média de US$ 10 mil por barril. Ele destacou que a compra estava de acordo com a decisão estratégica da estatal, do final da década de 90, que tinha por objetivo investir na aquisição de refinarias com vistas ao crescimento do mercado consumidor interno de petróleo.

O ex-presidente da Petrobrás lembrou que o valor Total de US$ 1,2 bilhão de Pasadena engloba, além da compra da refinaria, a da comercializadora (trading) e das custas judiciais. Ele disse que atualmente refinaria tem sido “razoavelmente lucrativa” e chegou a ganhar este ano um prêmio promovido pelas próprias refinarias norte-americanas. 

Polêmica. Em de fevereiro de 2006 o Conselho Administrativo da Petrobrás, à época presidido por Dilma Rousseff, autorizou a compra de 50% de Pasadena. Em 2012, a estatal concluiu a compra da refinaria, pela qual pagou US$ 1,25 bilhão, que sete anos antes foi adquirida pela belga Astra Oil por US$ 42,5 milhões.

Em março deste ano, o Estado revelou que Dilma deu aval à compra de parte da refinaria. Em nota, a presidente justificou que sua decisão foi tomada com base em um resumo técnico, nas suas palavras, "falho" e "incompleto".As investigações sobre a compra suspeitam de que a estatal tenha pago valor superfaturado pela unidade.

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