Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Não há necessidade de CPI para investigar corrupção, afirma Pepe Vargas

Para novo ministro das Relações Institucionais, comissões parlamentares tornaram-se instrumento de debate político e órgãos de controle são eficientes na apuração de desvios

RICARDO DELLA COLETTA E ISADORA PERON, Estadão Conteúdo

02 de janeiro de 2015 | 19h02

Brasília - Na esteira das denúncias que atingem a Petrobrás, o novo ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT-RS), afirmou nesta sexta-feira, 2, que não vê necessidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar corrupção. "O Ministério Público, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) têm condições e estão dando demonstrações claras de combate à corrupção", afirmou Vargas, pouco depois da cerimônia de transmissão de cargo, realizada no Palácio do Planalto.

Pepe Vargas recebeu o cargo de Ricardo Berzoini (PT-SP), deslocado para a pasta das Comunicações. "Não vejo necessidade de CPI para investigar corrupção. Se tivéssemos esses órgãos sem autonomia, precisaríamos (de uma CPI). Como nada disso acontece não vejo necessidade", completou.

De acordo com o petista, os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff reforçaram os órgãos que atuam no combate à corrupção. Para Pepe Vargas, os mecanismos de controle serão "aperfeiçoados" com a Operação Lava Jato - ação da Polícia Federal que apura os desvios cometidos na Petrobrás e o pagamento de propina a políticos. Segundo ele, pela primeira vez no Brasil, corruptos e corruptores serão punidos.

Vargas alegou que o trabalho da Justiça foi mais ágil e eficiente do que o da CPI montada no Congresso para investigar a Petrobrás. As comissões, segundo o ministro, já não têm o mesmo resultado de antes e se tornaram instrumentos de debate político. "As CPIs estão deixando a desejar nesse sentido. Sem CPI, só com o trabalho da PF e do MP, teríamos o mesmo resultado", disse. "A quebra de sigilo, fiscal, bancário e telefônico (pela Justiça) têm sido essencial para a formatação de provas para a gente conseguir descobrir quem está cometendo crime contra a administração pública."

Em 2014, a Petrobrás foi alvo de duas CPIs. Na comissão mista, encerrada no fim do ano, o relatório final apresentado pediu o indiciamento de 52 pessoas. O pedido, no entanto, foi incluído em uma segunda versão do documento, após a oposição criticar a postura da comissão em não indiciar ninguém na versão inicial.

Articulação política. No comando da pasta responsável pela articulação política do governo com o Congresso, Pepe Vargas usou seu discurso durante a transmissão do cargo para fazer um apelo por união entre aliados, por diálogo com a oposição e defende ainda a escuta da sociedade civil. Ele destacou o caráter independente do Legislativo, mas pregou a possibilidade de entendimento entre os poderes e aproveitou para defender o debate em torno da reforma política, tema lembrado com recorrência pela presidente Dilma Rousseff.

"Nosso compromisso é com a democracia representativa e com o diálogo com o Congresso Nacional. (...) Queremos também discutir a reforma do sistema eleitoral."

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