Não há nada que incrimine Palocci em Ribeirão, diz advogado

O advogado de defesa do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, José Roberto Batochio, afirmou nesta quarta-feira que não há nada no inquérito da Polícia Civil de Ribeirão Preto que incrimine seu cliente, ao contrário do que afirma o delegado do caso, Benedito Antonio Valencise."A meu ver, não existe absolutamente nada que aponte que qualquer irregularidade tenha sido praticada pelo doutor Antonio Palocci Filho; não há um elemento, nenhum dado no inquérito que mostre que ele seja o responsável por eventuais irregularidades e que o incrimine, embora os adversários políticos desejem isso ardentemente", afirmou o advogado ao deixar a Delegacia Seccional da cidade paulista.Batochio se reuniu com Valencise para definir a data na qual Palocci será ouvido em Brasília no inquérito que apura possíveis crimes cometidos pelo ex-ministro e ex-prefeito de Ribeirão Preto na gestão do contrato de limpeza urbana local.Além da reunião, o advogado consultou o inquérito no qual o delegado pretende indiciar Palocci por peculato, falsidade ideológica, formação de bando ou quadrilha e lavagem de dinheiro, num superfaturamento de aproximadamente R$ 30 milhões, de acordo com cálculos da polícia.´Achologia´"O fato de o doutor Valencise achar de uma forma e eu achar de outra é absolutamente normal dentro da vida do Direito", disse o advogado. "Mas não há gravações telefônicas, o doutor Palocci não foi grampeado e nem há referências (a Palocci no inquérito). Como Direito não é ´achologia´ e nem suposição, para frustração dos que querem condená-lo a qualquer preço, eu lamento informá-los que não há nada contra o doutor Palocci", completou.Batochio admitiu que possa ter havido "algumas irregularidades" no contrato de limpeza urbana em Ribeirão Preto, mas que elas teriam sido cometidas por "funcionários de baixo escalão, como costumam acontecer em qualquer município, em qualquer administração". No entanto, o advogado disse que não poderia citar quais irregularidades poderiam ter ocorrido por não ter tido tempo de analisar profundamente o inquérito de 74 volumes com 200 páginas cada.Batochio ratificou que Palocci será ouvido por Valencise na quarta-feira ou na quinta-feira da próxima semana, em Brasília, mas que o depoimento deveria ser feito por meio de uma precatória a um delegado local. "Nós estamos abrindo mão de o doutor Palocci ser ouvido pelo delegado de Brasília e concordando que o doutor Valencise vá ouvi-lo lá, o que é uma forma de nós colaborarmos para esclarecer os fatos e a verdade", explicou.Quinta-feira próxima é justamente o último dia para que Palocci deixe a residência oficial do Ministério da Fazenda, já que completará um mês de sua saída da Pasta. Batochio afirmou ainda que o ex-ministro da Fazenda ainda sofre com os problemas cardiológicos que fizeram com que Palocci fosse ouvido pela Polícia Federal em sua casa.

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