Não há manipulação para prorrogação da CPMF, diz Mantega

Segundo o ministro, a emenda é criação da oposição e agora governo quer prorrogorar arrecadação

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, do Estadão

09 de agosto de 2007 | 16h54

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou nesta quinta-feira, 9,  que o governo começou a liberar, com atraso, recursos de emendas de parlamentares. O ministro afirmou, porém, que a liberação não é nenhuma tentativa de manipular congressistas para que aprovem a proposta de prorrogação da vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011.   "Se houvesse esse interesse em fazer essa conexão, ou manipulação de emendas, já deveríamos ter liberado (os recursos) com antecedência", disse o ministro, em rápida conversa com jornalistas ao entrar no prédio do ministério. Ao confirmar as liberações, Mantega disse que elas estavam atrasadas e, agora, entraram "no fluxo normal".   "Nós atrasamos um pouco a liberação das emendas este ano. Às vezes, o Ministério da Fazenda e o do Planejamento liberam os recursos, mas os ministérios que são responsáveis pela emendas demoram um pouco mais para liberar. Já estão no fluxo normal. Temos um fluxo até o final do ano e vamos cumprir, independentemente da aprovação da CPMF", declarou Mantega. Ele lembrou que, todos os anos, fica definido um volume de emendas de parlamentares, tanto da base aliada quanto dos oposicionistas.    O ministro observou que essas emendas individuais somam R$ 2,5 bilhões. Ele insistiu com os jornalistas na afirmação de que não houve manipulação por parte do governo. Mantega completou: "A reclamação é de que este ano demoramos um pouco mais. Se tivéssemos interesse em manipular, teríamos antecipado (a liberação) e não o fizemos. Estamos liberando agora normalmente. Houve alguma demora. Ninguém pode conectar uma coisa (a liberação) à outra (aprovação da CPMF)".   Nada além de FHC   O ministro fez também um apelo aos parlamentares para que aprovem a prorrogação da CPMF e disse que o governo não pede nada além do que o governo Fernando Henrique Cardoso fez. Segundo ele, foi a oposição que inventou a CPMF.    "O que vamos pedir não é nada mais do que aquilo que eles já fizeram, porque a oposição quando era governo inventou a CPMF e conseguiu renová-la. O que nós queremos é um prolongamento de uma arrecadação que foi criada com a CPMF", disse ele.   Na defesa da continuidade da cobrança da contribuição, Mantega disse que ela é necessária para financiar parte do programa bolsa família. "Eu vou negociar (com a oposição) porque nós temos argumento suficientes para convencê-los da necessidade desses recursos para manter o equilíbrio fiscal do Estado e para execução dos projetos que são essenciais para o crescimento", disse.   Nesta quinta, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) defendeu o fim da CPMF, que expira no final do ano. "Nada mais justifica a manutenção da CPMF, não no nível em que está", destacou FHC, após participar de seminário organizado pelo PSDB, na capital, para discutir os fundamentos da economia e os desafios para o crescimento.   FHC disse que a CPMF foi criada no seu governo porque, na ocasião, havia escassez de recursos, a necessidade de controlar a inflação e destinar mais recursos para a área da saúde. "Hoje, as condições mudaram e o Brasil tem abundância de recursos", comentou, ironizando em seguida: "O que tem é desperdício de recursos".   Demora   Mantega disse também que está preocupado com a demora no processo de votação da emenda constitucional que prorroga a CPMF até 2011.   "A minha preocupação é com o tempo, porque é uma matéria complexa que exige uma discussão. Temos que esclarecer a opinião pública e discutir com os parlamentares. Estou me dispondo a fazer isso, detalhar, explicar, apresentar dados, mostrar a importância", afirmou, em rápida conversa com jornalistas, ao chegar ao ministério.   Mantega disse que o governo está escolhendo qual estratégia adotar. "Agora nós temos que escolher o caminho que vamos trilhar, porque há caminhos e estratégias diferentes para encaminhamentos, mais longos ou mais curtos", explicou.    

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