'Não há lealdade processual', diz advogado da Odebrecht

Técio Lins e Silva faz discurso duro contra os andamentos da Lava Jato e questiona nova prisão de Marcelo Odebrecht no mesmo diz em que STJ iria julgar habeas corpus de executivo

Cynthia Decloedt, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2015 | 20h41

São Paulo - Em um discurso acalorado e com direito a lembrança de fatos da época da Ditadura, o advogado de defesa da Odebrecht, Técio Lins e Silva, disse que o decreto renovando da prisão dos executivos do grupo nesta sexta-feira, 24, teve como objetivo perturbar o andamento de habeas corpus encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo a soltura dos executivos da empresa, incluindo o presidente Marcelo Odebrecht. 

"Nâo há lealdade processual, hoje o Superior Tribunal de Justiça iria apreciar vários habeas corpus pedindo liberdade dos presos. E o representante decreta a prisão preventiva pela segunda vez, que em minha opinião, acontece para perturbar o andamento do habeas corpus", disse na entrevista convocada pela empresa neste início de noite de sexta-feira.

O advogado introduziu seu discurso lembrando como foi anunciado pelos militares o atentado ao RioCentro em 1981, em que duas bombas explodiram durante comemorações do Dia do Trabalho. Ele criticou fortemente a conduta das investigações e a forma como o Ministério Público Federal tem tratado as partes e conduzido as denúncias. "A Justiça que administra esse procedimento tem sido unilateral, parcial, e dado ao Ministério Publico mais força e mais possibilidade de agir, desfazendo a paridade de armas que tem de existir, disse.

"Os réus são cidadãos honrados e que estão detidos porque num jogo de palavras dizem que é preciso garantir a ordem pública, o que não quer dizer absolutamente nada", acrescentou. O advogado também fez críticas ao juiz Sérgio Moro. Ele disse que o magistrado é um juiz "fora do padrão" e de "monocausa".

"Ele (Moro) está com a distribuição em suspenso, é um juiz da monocausa, que só trabalha no caso (Lava Jato)", disse. "Para ser democrático, os processos têm de ser distribuídos para todos os juízes. É uma ilegalidade, nenhum juiz pode ficar fora da distribuição", argumentou. Por decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o juiz Sérgio Moro está dedicado exclusivamente aos processos e ações da Lava Jato.

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