'Não há heróis nessa história', diz presidente da CCJ sobre delação

Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) afirma que possibilidade de anulação de acordo coloca uma 'nuvem' sobre atuação da Procuradoria

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2017 | 12h53

BRASÍLI - O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), afirmou nesta terça-feira, 5, que a investigação que pode levar ao cancelamento da delação de executivos do grupo J&F coloca uma "nuvem" sobre a atuação do Ministério Público Federal e mostra que não há heróis nessa colaboração premiada. O peemedebista será o responsável por conduzir a primeira votação na Casa de uma eventual segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, que pode ser apresentada nesta semana pela Procuradoria-Geral da República (PGR), com base na delação do grupo. 

Na segunda-feira, 4, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou a abertura de investigação que pode levar à rescisão do acordo de delação premiada do empresário Joesley Batista e mais dois delatores do grupo J&F: Ricardo Saud e Francisco de Assis Silva. A decisão foi tomada com base em áudio de conversa entre Joesley e Saud entregue à PGR em 31 de agosto. A conversa revelaria o que Janot chamou de indícios de "crimes gravíssimos" envolvendo Marcelo Miller, ex-procurador da República que deixou a PGR e se transformou no advogado que negociou a delação da J&F.

"Esse fato de que um procurador da República teria advogado estando como procurador da República é um fato muito grave. Coloca uma nuvem sobre a atuação do Ministério Público Federal e é uma demonstração de que, nessa história, infelizmente, não há heróis", afirmou o presidente da CCJ ao Estado/Broadcast Político. Pacheco disse, porém, não poder fazer uma avaliação sobre o impacto dessa investigação aberta por Janot sobre uma eventual segunda denúncia contra Temer. "Preciso entender exatamente as circunstâncias dessa revisão e conhecer exatamente em que termos viria uma segunda denúncia", disse.

Na entrevista em que anunciou a investigação, o procurador afirmou que a ameaça de revisão do acordo de delação da J&F não deve interferir na apresentação de uma possível segunda denúncia contra o presidente da República. Segundo Janot, as provas já apresentadas por executivos do grupo continuam válidas. A expectativa é de que o procurador envie ao Supremo Tribunal Federal (STF), ainda nesta semana, uma segunda acusação contra Temer por organização criminosa. Assim como a primeira, a segunda denúncia precisa do aval da Câmara para poder ser julgada pelo STF.

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