''Não há crise entre a PF e a Abin''

Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da Polícia Federal, avisa que ?nenhuma instituição está fora do alcance da lei?

Fausto Macedo e Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2008 | 00h00

"Não há crise entre a Polícia Federal e a Abin", afirma o delegado Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da PF. "Tivemos reuniões para tratar do assunto de forma cooperativa. Assim como nós prendemos colegas nossos em desvio de conduta, faremos investigações em qualquer área do setor público."Corrêa alerta que "nenhuma instituição está fora do alcance da lei". "Se restar provado desvio de conduta em qualquer atuação da PF ou na Abin, o responsável será alcançado."Ele atesta que "existe uma convergência entre a PF e a Abin, com o aval do Gabinete de Segurança Institucional, no sentido de agilizar mais os processos apuratórios internos paralelos nas duas instituições".O delegado afasta taxativamente versões de que o inquérito sobre o vazamento da Satiagraha é sintoma de crise na instituição. "O sigilo das investigações é princípio basilar do inquérito policial. A corregedoria apura desvios de conduta de qualquer servidor. Não interessa o cargo que ocupa, nem a função. Onde houve vazamento, abaixo ou acima, será investigado. Esse é o conforto da instituição, que está funcionando plenamente. Não há descontrole. Talvez alguns não queiram a PF nesse estilo."Repudia divisão na sua polícia. "A Polícia Federal nunca esteve tão unida e controlada."Ele recebeu o Estado em seu gabinete no Máscara Negra, edifício-sede da PF em Brasília. Aos 50 anos, gaúcho de Santa Maria, gremista, 3 filhos e 2 netos, ele ingressou na PF em 1980 como agente. Tornou-se delegado em 1995. Passou em outros concursos, inclusive para o Ministério Público, mas preferiu fazer carreira na PF.Falou categoricamente dos planos para a corporação que dirige desde agosto de 2007 e do modelo de gestão empresarial que quer impor na PF. "O objetivo é eliminar gargalos enormes na realização dos serviços. A preocupação gerencial é também com a redução de custos. Tratamos aqui de dinheiro público em um País com recursos escassos. A meta é reduzir em 50% os gastos operacionais, combinado com sistema indicador de desempenho que privilegie a meritocracia, qualificação de pessoal."MESTRESA PF mantém em seus quadros mais de 300 mestres e doutores. "A PF é administrada hoje como empresa", diz. "O meu negócio é segurança pública e a minha eficiência será medida pelos resultados sociais das operações ao menor custo possível para o erário."Expôs seus objetivos - um deles a perseguição tenaz ao fortalecimento do inquérito e produção de provas cabais contra o crime organizado.Não abre mão do controle operacional hierárquico. "Essa é uma luta obsessiva nossa. Estamos reforçando os sistemas de controle, basta ver o funcionamento da corregedoria. Isso é autonomia, é independência, é observância dos papéis dos órgãos de controle. A PF está funcionando plenamente. Temos um modelo exemplar de corregedoria independente, com mandato. Se nas operações rotineiras a direção não interfere, muito menos vai se envolver em investigações da corregedoria, isso iria macular a estrutura da polícia."Corrêa percebe que grandes bancas de advocacia estão atentas à atitude do policial para anular provas e destruir o trabalho investigativo."Enquanto polícia judiciária somos uma usina de produção de prova. O comportamento do policial faz parte da qualidade da prova. Revisamos todo o projeto pedagógico na Academia Nacional da PF. A qualidade da prova, que inclui conduta do policial, é um dogma para nós. Travamos luta obsessiva para obter o certificado internacional da cadeia de prova, espécie de ISO 9000."O diretor anota que a principal polícia brasileira "caminhava para o colapso em cinco anos, ou a falência, no jargão empresarial". A PF multiplicou as operações, a média passou de 20 para mais de 100 ao ano. "A infra-estrutura e a preparação de pessoal não acompanharam a nova rotina. O resultado: inquéritos em profusão, mas de qualidade deficiente, e baixo índice de condenação. Nossos indicadores estão melhorando, com aumento significativo do número de prisões preventivas dada a robustez das provas. Hoje eu sei quem vai ser preso e o fundamento da prisão, para evitar escorregões. Não haverá mais caixas de pandora na PF." FRASESLuiz Fernando Corrêadiretor-geral da PF"Se restar provado desvio de conduta em qualquer atuação da PF ou na Abin, o responsável será alcançado""O sigilo das investigações é princípio basilar do inquérito policial. A corregedoria apura desvios de conduta de qualquer servidor. Onde houve vazamento, abaixo ou acima, será investigado. Esse é o conforto da instituição, que está funcionando plenamente. Não há descontrole. Talvez alguns não queiram a PF nesse estilo"

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