'Não há crise' capaz de reduzir programas sociais, diz Lula

Presidente nega corte em programas como o Bolsa-Família mesmo com aumento da crise financeira

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

25 de novembro de 2008 | 17h42

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 25, que, num eventual agravamento da crise financeira internacional, o governo não fará cortes nos programas sociais, especialmente, no Bolsa-Família. "Companheiros, estejam seguros de que, se tiver uma crise mais forte, a gente pode até não aumentar o benefício, mas podem ter certeza de que não haverá crise no mundo que me faça tirar um centavo dos pobres que estão recebendo (o benefício) neste instante no País", disse.   Veja também: Confira os principais programas sociais do governo Lula De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise    A declaração do presidente foi feita durante evento de entrega dos prêmios de gestão do Bolsa-Família e de Programas de Segurança Alimentar e Nutricional, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Social, em Brasília.   Em discurso, em parte de improviso, Lula disse que o governo tomou algumas medidas para evitar os efeitos da crise no País, como a liberação de compulsório para garantir o crédito, incentivo para a construção civil, garantias de capital de giro para pequenas e médias empresas e aumento do financiamento para a compra de automóvel.   Ele disse que insiste, durante entrevistas e discursos, no pedido para as pessoas continuem comprando pois isso mantém a economia aquecida e garante até mesmo o emprego dos trabalhadores. "À medida em que você toma café com crise, almoça com crise, janta com crise e dorme com crise, cresce um pânico e as pessoas começam a se retrair", disse. "O que eu quero dizer é que ele (trabalhador) corre o risco de perder o emprego se não comprar", completou.   Lula salientou que o Brasil não tem uma crise de crédito como em outros países e que, a cada dia, segundo ele, o crédito volta "à ordem". "Nós, o governo, vamos fazer todo o esforço para a economia não ser desativada porque trabalhamos 20 anos para construir isso", disse referindo-se a ganhos da economia brasileira nos últimos anos.   Ainda na defesa dos programas sociais, Lula disse que cada centavo investido em programas como o Bolsa-Família, o governo está transferindo R$ 1 no investimento para que as pessoas sejam cidadãs.   Prefeitos   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse há pouco que vai convocar os prefeitos de todo o País para uma reunião, em janeiro, em Brasília, para discutir temas como o analfabetismo, desmatamento, mortalidade e desnutrição infantil. "Sempre tem marcha de prefeitos em Brasília. Agora, eu quero apresentar uma pauta de reivindicação para os prefeitos", afirmou, durante evento do Ministério do Desenvolvimento Social, em Brasília. "Estou convencido de que as políticas públicas do governo federal só alcançarão seus objetivos se os prefeitos e governadores estiverem engajados", completou.   Ao comentar o problema do desmatamento na Amazônia, o presidente lembrou que o maior porcentual de queimadas ocorre em poucos Estados e em 36 cidades. "Em vez de brigar na imprensa, é melhor chamarmos o governador e prefeito para pactuar com eles e que o prefeito seja o principal fiscal", disse o presidente.   Entre os Estados que estão no topo do ranking do desmatamento, segundo levantamento apresentado nos últimos anos pelo Ministério do Meio Ambiente, estão Mato Grosso e Pará. Os governadores Blairo Maggi (PR) e Ana Júlia Carepa (PT) são aliados do Planalto. Ana Júlia, inclusive, estava presente à solenidade no momento em que o presidente discursava.

Tudo o que sabemos sobre:
Lulacriseprogramas sociais

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.