'Não há conflito étnico', diz general

A Força Nacional e o Exército vão ficar na região até o fim das investigações da Polícia Federal, segundo o comandante da 17ª Brigada de Porto Velho

José Maria Tomazela, Enviado especial

29 Dezembro 2013 | 22h11

Humaitá - O general Ubiratan Poty, comandante da 17ª Brigada de Porto Velho, disse ao Estado que o clima em Humaitá não é de guerra e que não há conflito étnico entre brancos e índios. Segundo ele, após a morte do cacique Ivan Tenharim num acidente na estrada, houve o desaparecimento de três civis, fato entendido como uma ação dos indígenas em relação à morte do cacique. "Isso gerou uma reação que já foi controlada e, à medida que os fatos sejam esclarecidos e as providências tomadas, tudo tende a voltar ao normal." A Força Nacional e o Exército vão ficar na região até o fim das investigações da Polícia Federal. Segundo ele, os 140 índios abrigados na base militar de Humaitá podem deixar o local quando se sentirem em segurança.

Está se lidando com uma situação de conflito étnico em Humaitá?

Não é um conflito ético. A questão ganhou vulto em razão do desaparecimento daquelas três pessoas. Esses fatos levaram a um incidente maior no dia 25 de dezembro, com a queima de alguns estabelecimentos que são patrimônio da União por parte da população de Humaitá como forma de protesto. O processo investigativo é demorado, depende de provas, investigação e às vezes essa demora não é bem aceita pela população, que quer respostas rápidas, mas temos de ter paciência para não cometer nenhuma injustiça.

Qual o papel do Exército nessa crise?

A missão do Exército, dada pelo ministro da Defesa, será de apoio logístico ao trabalho da Polícia Federal, e para isso vamos montar uma base no quilômetro 180, em Santo Antonio do Matupi, de onde sairão as ações. Esse apoio será dado também daqui de Humaitá. É importante salientar que o nível de segurança na região já foi aumentado, com aumento no patrulhamento das ruas e controle dos veículos que estão em trânsito. A área da reserva está sento patrulhada pela Polícia Rodoviária Federal, reforçado pela Força Nacional de Segurança, que está fazendo a guarda das pontes, que são de madeira.

Qual a condição dos índios abrigados no batalhão?

No dia 24, foi fechada a balsa e alguns índios, na maioria mulheres e crianças, vieram a Humaitá para fazer compras e com o fechamento da balsa não puderam voltar. No dia 25, os ânimos se inflamaram e a população se voltou contra os índios e foram para destruir a sede da Funai e outros locais e vimos que a integridade deles estava ameaçada. Também por solicitação do bispo de Humaitá, dom Francisco (Merekel) e da Funai, aceitamos guardar esses 140 índios aqui no quartel. Foi mais uma ação humanitária. Acredito que a partir de terça-feira (31) possamos liberar os índios gradualmente para retornar às aldeias.

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