"Não há como governar sem uma coalizão", afirma Rebelo

O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, informou que não fez apelos ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), mas ponderou sobre o significado da presença do partido no governo. O ministro lembrou que nenhum partido político alcançou 20% dos votos nas últimas eleições e que esse resultado aponta para a necessidade de um governo de coalizão. "Não há como governar sem uma coalizão", afirmou Rebelo. "Isto é quase uma mensagem das urnas, e esta é minha convicção e, também, a do ministro José Dirceu (Casa Civil)".Embora setores do governo trabalhem com a hipótese de adiamento da convenção nacional do PMDB, marcada para 12 de dezembro, o presidente do partido, Michel Temer, disse que esse assunto sequer foi tratado no encontro com Rebelo. "Ouvi com muita atenção as ponderações do ministro Aldo, que, muito adequadamente, usa a expressão ´coalizão´, e não ´adesão´. Mas expliquei que o PMDB quer buscar caminho próprio", disse. Temer acha muito difícil qualquer mudança na data da convenção que decidirá se o partido deve ou não entregar os cargos e sair do governo. Ele disse, ainda, que o que o PMDB está pleiteando, neste momento "é perder espaço, e não ganhar".O almoço de hoje foi apenas um item da agenda do governo para reaproximar o PMDB do Palácio do Planalto. Segundo uma fonte do Palácio, Aldo vai telefonar hoje à tarde para o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PMDB-RJ) e tem, amanhã, um encontro com o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique. Dentro desse esforço do governo, o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira (PMDB), recebe, na sexta-feira, os deputados do PMDB para um almoço com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, na noite do mesmo dia, os senadores do PMDB jantam com Lula na casa de Aldo Rebelo.Setores importantes do governo estão convictos de que é preciso fazer um grande esforço político para tentar mudar os rumos do PMDB, já que uma corrente expressiva do partido defende a saída do governo.

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