'Não há como controlar' todos os petistas, admite Dutra

O presidente do PT e coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, José Eduardo Dutra, admitiu que não há como controlar todos os petistas, ao se referir às notícias que apontam para o envolvimento de filiados ao partido na violação de sigilo fiscal de tucanos ou pessoas próximas deles. "O partido tem 1 milhão de filiados e não há como controlá-los", disse. A declaração mostra uma reversão na estratégia do PT, que até agora vinha negando "vínculo" entre os suspeitos de violarem o sigilo e o partido.

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

08 de setembro de 2010 | 19h12

Para Dutra, o importante é que nenhuma ordem para qualquer atividade ilegal partiu do comando petista ou da campanha de Dilma. Cerca de cinco horas depois, e minutos antes de embarcar para Belo Horizonte para acompanhar Dilma em um comício em Betim, Dutra afirmou que a violação dos sigilos é "um caso grave e que deve ser investigado pela polícia, pois é um assunto policial".

"Esta é uma questão que eu insisto ser um caso de polícia. Por isso nós pedimos à Polícia Federal (PF) para apurar. Nós continuamos aguardando que a instituição apure. É um fato grave, merece solução, a lei prevê isso." Dutra afirmou que repele qualquer "ilação", qualquer tentativa de vinculação "desses lamentáveis episódios" com a campanha de Dilma. E reafirmou que o PT irá à Justiça toda vez que uma acusação de alguém vincular o partido a qualquer ação ilegal.

CPI

Ao comentar iniciativa do deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que anunciou estar disposto a coletar assinaturas no Congresso para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a quebra de sigilos na Receita Federal, Dutra foi irônico.

"É um direito do deputado. A CPI é um instrumento da oposição. Nós, do PT, quando na oposição, utilizamos muito as CPIs. Mas eu acho que o deputado Jungmann deveria se preocupar mais em pedir votos em Pernambuco, porque corre o risco de ser derrotado se não se dedicar à campanha dele."

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