'Não há ameaças e o DEM indicará o vice'

Rodrigo Maia, presidente do DEM

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 08h27

A duas semanas da realização de sua convenção nacional, o DEM pressiona o PSDB para garantir a vaga de vice-presidente na chapa encabeçada pelo tucano José Serra. Com o prazo para essa definição terminando e sem que o PSDB confirme a opção por um nome do DEM, o comando nacional do partido ameaça se rebelar e esfriar o apoio à campanha de Serra. O problema é que os integrantes do DEM sabem que essa opção prejudicaria o futuro do próprio partido, que aposta na vitória de Serra para recuperar espaço político.

 

O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), diz que o partido não está ameaçando Serra, mas não esconde sua insatisfação com a demora dessa definição. Diz que o partido indicará o vice na sua convenção no próximo dia 30 e avalia que Serra poderá até ser derrotado se "não fizer uma chapa que respeite os aliados naturais". A seguir, os principais trechos da entrevista.

 

O DEM está pressionando José Serra e o PSDB para ficar com a vaga de vice-presidente na chapa? É possível acreditar numa suposta ameaça de abandono da aliança sabendo que essa candidatura é apoiada pela imensa maioria do partido?

 

Não se trata de ameaça. O problema é se o Serra quer ganhar ou perder a eleição. Numa disputa apertada, que poderá ser decidida por apenas uns 3 pontos porcentuais de diferença, contra um governo que é popular e populista, se não fizer uma chapa que respeite os aliados naturais, você não ganha.

 

Esse tipo de pressão não atrapalha a candidatura?

 

O DEM já deu prova de sua colaboração quando aceitou abrir mão da vice em favor de Aécio Neves. Até porque achamos que ele tinha plenas condições de também ser candidato. Mas não existe pressão porque nas nossas conversas com o PSDB existe o compromisso de a vice ficar com o partido.

 

Serra assumiu esse compromisso com o DEM? Assumiu com o senhor?

 

Esse compromisso existe nas conversas que sempre mantenho com o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Aprovaremos nosso candidato a vice na convenção do partido no dia 30 de junho num processo com a total participação de José Serra.

 

Mas a convenção será dia 30 de junho e o PSDB pode registrar a chapa até 5 de julho. Se até a convenção, o PSDB não anunciar nenhum acordo oficial com o DEM em torno do vice, o partido escolherá alguém mesmo assim?

 

Fora o nome de Aécio Neves, não existe nenhum nome que justifique que o vice não seja do principal partido da aliança política. Não há ameaças e o DEM vai indicar o vice no dia 30, num processo de escolha com a participação direta de Serra e do PSDB. Esses são os sinais que recebo nas conversas com o comando do PSDB.

 

E se o PSDB não indicar um vice do DEM?

 

Vai indicar.

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