Não há acusação política contra Dantas, mas perícia, diz Tarso

Ministro da Justiça vê 'estratégia' do banqueiro em evocar questões políticas como motivos de sua prisão

Ricardo Leopoldo, da AE

11 de julho de 2008 | 19h20

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta sexta-feira, 11,  que não há acusação política contra o sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, por parte da Polícia Federal (PF). "Existe trabalho técnico, escuta telefônica permitida pelo poder Judiciário e comprovação de tentativa de compras de policiais. Há um trabalho de perícia rigoroso," destacou o ministro, após participar de evento na Prefeitura de São Paulo.  Veja também:Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas Íntegra da decisão assinada pelo presidente do STF  STF manda soltar Celso Pitta, Naji Nahas e mais noveDantas ofereceu suborno de US$ 1 milhão para escapar da prisão, diz MPVocê concorda: não há mais intocáveis no País Entenda como funcionava o esquema criminoso Veja as principais operações da PF desde 2003 Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas  De acordo com o ministro, as investigações da PF detectaram "um sistema criminoso que foi instaurado, agredindo a estabilidade do sistema financeiro". Dantas é suspeito de cometer, entre outros crimes, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção ativa, pois teria, através de dois emissários, tentado oferecer US$ 1 milhão ao delegado da Polícia Federal, Vitor Hugo Alves Ferreira, a fim de que o seu nome, o de sua irmã, Verônica Dantas e o filho, não constassem do inquérito da PF. Na avaliação do ministro da Justiça, é natural que um suspeito de ter cometido crimes evoque questões políticas, pois essa é uma estratégia que tenta provocar simpatia em uma parte da opinião pública. "Mas isso é completamente vazio, até porque, segundo informações (divulgadas pela imprensa) o réu principal desse processo disse que tinha relações políticas com todo mundo, com todos os partidos. E essas relações não são necessariamente criminosas. Podem ser e podem não ser. Há relações de empresários com o mundo político, o que é normal no Brasil," reiterou o ministro. Denúncia acolhida O ministro Tarso Genro avaliou que a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, de conceder novo habeas-corpus em favor de Daniel Dantas não sinaliza fragilidade das investigações realizadas pela PF. "Quando se trabalha sobre um habeas-corpus, o que está se verificando é se há condições apropriadas para liberar aquele que está sendo detido", comentou. E continuou: "O processo continua com normalidade, não há nenhum juízo sobre a eficácia da prova que está muito bem feita. A denúncia seguramente será acolhida pelo poder Judiciário. A própria Procuradoria da República já se manifestou e haverá seguramente a denúncia que será acolhida pelo poder Judiciário." De acordo com o ministro, "é normal a diferença de concepção entre a primeira instância (do Judiciário) e o STF" relativa às decisões do juiz titular da 6ª Vara Federal Criminal, Fausto Martin De Sanctis, que pediu a prisão preventiva de Daniel Dantas por duas vezes, mas que foram revogadas por habeas-corpus concedidos pelo ministro Gilmar Mendes. "A legislação processual dá possibilidade de interpretações diferentes a respeito do alcance da prisão preventiva e provisória. O Ministério da Justiça não pode se manifestar sobre o contencioso técnico envolvendo o Ministério Público e Poder Judiciário e a primeira instância (da Justiça) e o STF."  Monitoramento  O ministro reafirmou que a PF não fez nenhuma atividade de monitoramento no gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. "Eu conversei com o juiz titular da 6ª Vara Federal Criminal, Fausto Martin De Sanctis, e com o ministro Gilmar Mendes. Mostrei a ele,(presidente do STF) que o juiz (De Sanctis), segundo me informou, não determinou qualquer vigilância de seu gabinete. E se determinasse, a Polícia Federal não cumpriria. O juiz sabe que não é de sua competência determinar a escuta do ministro do STF", emendou. De acordo com Tarso, o ministro Gilmar Mendes já foi informado que a Polícia Federal está à sua disposição para investigar quem poderia estar fazendo eventual monitoramento dele. "Esta informação que circulou, de que a Polícia Federal estaria fazendo acompanhamento do ministro Gilmar Mendes, atribuo à alguém que quer jogar querosene na fogueira e perturbar as relações entre os poderes para tirar alguma vantagem. Se isso foi feito (monitoramento), a pessoa que fez não está sob mando do Estado, mas a soldo de alguém, esse alguém só pode ser um criminoso." O ministro da Justiça, questionado se Daniel Dantas poderia fugir do País a partir da sua liberdade, disse não acreditar que isso pode ocorrer. "A possibilidade de fuga está contida em quem está em liberdade, mas como Daniel Dantas tem insistido que é inocente, nós esperamos que ele fique (no País) para provar sua inocência e responder o processo", frisou Tarso.

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