'Não fico surpreso com mais nada no Brasil', diz FHC

Ex-presidente diz que não viu os detalhes da pesquisa sobre a popularidade de Lula

Roberto Almeida, de O Estado de S. Paulo,

27 de março de 2008 | 20h45

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou rapidamente nesta quinta-feira, 27, o índice de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu não vi a avaliação, mas não fico surpreso com mais nada no Brasil", declarou, ao sair de uma palestra para arrecadação de fundos destinados à construção da sede do diretório estadual do PSDB. Nesta quinta, uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) apontou que a avaliação do presidente Lula atingiu seu melhor desempenho desde a posse no primeiro mandato, em 2003.  Veja também:Avaliação do governo Lula sobe em todos os itens, diz CNIOuça a entrevista com David Fleischer Um dia após troca de farpas, Lula não fala de CPI e sucessão Ouça a íntegra do discurso irritado de Lula  IMAGENS: Os momentos de 'amor e ódio' de FHC e Lula  ENQUETE: A CPI dos Cartões deve quebrar sigilo de Lula e FHC?  Entenda a crise dos cartões corporativos  FHC cobra dados de cartão de Lula, que reage e diz que fará sucessor Relação, já conflituosa, azedou com mensalão Em sessão marcada por bate-boca, CPI rejeita convocação de Dilma PSDB pede apuração de vazamento sobre dossiê  Segundo a pesquisa, encomendada pela CNI/Ibope, o índice de ótimo e bom foi de 58%. No levantamento anterior, realizado em dezembro, esse porcentual era de 51%. É o segundo maior índice de aprovação desde março de 2003, quando fora de 75%. Economistas da CNI consideram que esses resultados se devem, basicamente, ao bom desempenho da economia. Na quarta-feira, 26, Fernando Henrique voltou a cobrar a abertura dos gastos de Lula. "Se eu fosse o presidente Lula, eu diria: 'venham ver o que eu fiz com o dinheiro, como é que foi gasto, não tem problema nenhum'. Abre, mostra, é melhor?", afirmou, após participar de conferência na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre agências reguladoras. "Não é preciso fazer dessa questão um cavalo de batalha". Do outro lado, Lula declarou que "a oposição pensa que vai eleger o (meu) sucessor, mas pode tirar o cavalinho da chuva porque vamos fazer a sucessão para continuar governando este País." Para o cientista político David Fleischer, a troca entre o presidente farpas e Fernando Henrique tem mais a ver com as eleições municipais de 2008 e a sucessão presidencial em 2010 do que com a polêmica em torno da quebra de sigilo dos gastos da Presidência, tema-chave da discussão. "Para chegar a 2010, tem que passar por 2008", disse.  Segundo ele, tanto Lula quanto FHC estão muito focados em São Paulo no momento por conta das eleições deste ano, uma vez que nos dois partidos - PT e PSDB - quem manda são os paulistas. "A cidade de São Paulo terá candidato do PSDB e DEM, e Marta (ministra do Turismo, Marta Suplicy) tem grandes chances de voltar", o que preocuparia os tucanos.

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