NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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'Não fazemos concessões para ter audiência maior'

Presidente da TV Cultura diz que Doria não tem poder para escolher dirigente da emissora

Entrevista com

Marcos Mendonça, presidente da TV Cultura

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2019 | 05h00

Para o presidente da TV Cultura, Marcos Mendonça, ligado ao ex-governador José Serra, o governador João Doria não tem poder para escolher quem vai comandar a emissora. “O presidente (da emissora) é eleito e empossado pelo conselho. O governador não pode escolher o presidente. Não tem esse poder”, afirmou.

Mendonça criticou o “choque de gestão” na empresa que Doria prepara com o objetivo de torná-la lucrativa e menos dependente de recursos públicos.

Quanto a TV Cultura faturou com anúncios nos últimos dois anos?

Ela não fatura muito nessa área. Por volta de R$ 1 milhão por mês. No total, a TV faturou R$ 150 milhões e teve um superávit de R$ 7 milhões no ano passado. Tivemos, no conjunto do orçamento, aproximadamente R$ 50 milhões de receita própria. Isso mistura publicidade, serviços, licenciamento de marcas. E recebemos R$ 100 milhões do Estado.

A maioria dos programas tem baixa audiência. Por quê?

Não há possibilidade de discutir audiência com a TV Cultura. Ela tem uma finalidade. Não vai dar audiência quando coloca uma orquestra sinfônica no ar. Ela não vai dar audiência quando coloca o (programa) Café Filosófico no ar.

Então, a audiência não é o objetivo?

Gostaria imensamente de ter a audiência da Globo, mas audiência não significa qualidade. Há necessidade de as pessoas diferenciarem esses dois itens. Nunca vou ter audiência com dança clássica, mas estou oferecendo ao público a oportunidade de assistir a um espetáculo de dança clássica em casa. A TV Cultura não faz concessões para ter audiência.

O governador pode tomar decisões diretas como contratar ou demitir diretores?

Não. Isso é uma entidade independente. O presidente é eleito e empossado pelo conselho. O governador não pode escolher o presidente. Não tem esse poder.

O sr. é filiado ao PSDB. Isso pesou na sua escolha para presidir a TV Cultura?

O fato de eu ser ligado ao PSDB não influenciou em nada.

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