Não existe mídia contra o governo na Venezuela, diz ex-premiê da Espanha

Ao lado do ex-presidente Lula, Felipe González disse ter passado por situação semelhante à vivida hoje pelo petista, em referência às denúncias de corrupção na Petrobrás

Ana Fernandes , O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2015 | 13h33

SÃO PAULO - O ex-primeiro-ministro da Espanha Felipe González disse nesta segunda-feira, 22, não ver uma conspiração da mídia na Venezuela. Recentemente, o Brasil se envolveu em um incidente diplomático com a Venezuela, após uma comitiva de senadores brasileiros ser hostilizada por manifestantes favoráveis ao governo Maduro. Os senadores de oposição visitariam presos políticos no país vizinho. Após o incidente, o governo brasileiro chamou a embaixadora da Venezuela no Brasil, Maria Lourdes Urbaneja Durant, a dar explicações sobre o caso. 

"Na Venezuela, a conspiração da mídia para derrubar o governo não existe, simplesmente porque não existe mídia que não seja do governo", disse em debate promovido pelo Instituto Lula. González fez uma comparação, com números extrapolados, para dar uma ideia da diferença em relação ao cenário brasileiro. Disse que, enquanto no Brasil 80% da mídia é contrária ao governo, na Venezuela isso não chegaria a 5%.

Ao lado do ex-presidente Lula, no debate realizado nesta segunda em São Paulo, González não citou o episódio. Ele falava sobre a evolução dos governos de esquerda pelo mundo. O ex-primeiro-ministro falou sobre a Espanha e sobre o seu partido, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que deixou o governo após denúncias de corrupção.

González defendeu que não pode haver golpe, nem da esquerda nem da direita, mas que a esquerda precisa aprender a se reinventar depois de chegar ao poder. "Não temos apenas a grande responsabilidade de vencer as eleições, mas também de gerenciar esse poder para poder continuar representando minorias sociais. Nós ajudamos a mudar a realidade social e ficamos com o mesmo discurso, por isso perdemos o poder na Espanha", afirmou. Ele disse ainda que a esquerda democrática precisa procurar novos caminhos e instrumentos, para buscar os mesmos objetivos de igualdade e distribuição de renda. 

Mais cedo em sua fala, González elogiou o governo Lula e disse ter passado por situação semelhante ao que avalia viver hoje o governo petista - em referência às denúncias de corrupção na Petrobrás a partir da operação Lava Jato. "Quando um comando de jornalistas, juristas e promotores se juntam, podem tirar qualquer um do governo", disse o ex-primeiro-ministro espanhol.

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