'Não existe crise institucional', diz Dilma sobre grampos

Ministra não comentou suposta responsabilidade da Abin e afirmou que o episódio vai exigir investigação

Célia Froufe, da Agência Estado

02 de setembro de 2008 | 18h22

A despeito das críticas que o governo vem sofrendo no caso dos grampos de telefonemas de representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira, 2,  que o governo está em pleno exercício da sua administração. "Acho que não existe a menor crise institucional", afirmou, após participar de evento realizado na capital paulista para comemorar os 40 anos da revista Veja. Para ela, é um absurdo os críticos do governo considerarem um episódio como este como falta de controle sobre a PF e a Abin. "Vivemos um dos melhores momentos que esse País já passou", afirmou.  Veja Também:Entenda as acusações de envolvimento da Abin com grampos  Grampo telefônico é inaceitável, diz assessor da PresidênciaGoverno nomeia substituto de Paulo Lacerda na direção da AbinSecretário é o novo responsável temporário pela AbinSupremo quer que Lula esclareça grampos da Abin, diz Mendes Ela não quis fazer comentários a respeito da responsabilidade ou não da direção da Agência Brasileira de Inteligência neste caso e afirmou que o episódio vai exigir investigação. "Vivemos numa democracia que garante direito às pessoas e garante o direito de defesa. Primeiro as pessoas são consideradas inocentes", afirmou. Para a ministra, o afastamento da diretoria da Abin deve-se a este cuidado do governo em garantir a lisura das investigações. "Até onde sei, o governo fez o afastamento. Não sei se houve da parte do delegado Paulo Lacerda a iniciativa também", disse, acrescentando que essa iniciativa pode ter ocorrido e ela não ter sido informada porque estava fora de Brasília na inauguração simbólica do início da exploração de petróleo na camada de pré-sal no Campo de Jubarte. Dilma afirmou não ter condições de informar se também foi grampeada. "Até agora não tenho elementos para dizer. Se isso se confirmar, acho um absurdo da mesma forma que achei quando se tratou do (ministro do STF) Gilmar Mendes e acharei um absurdo quando se tratar de qualquer cidadão brasileiro", salientou. Ela voltou a citar a época da ditadura, em que não havia a garantia dos direitos individuais. Para a ministra, a democracia deve ser preservada por todos. "A nossa reação não é a de achar que não há democracia. A democracia sempre deve ser construída", acrescentou. Questionada pelos jornalistas se esse não era um discurso pro forma de um ministro, ela respondeu: "Não, meu querido, esse é um discurso de ministra-chefe da Casa Civil, absolutamente consciente de que o governo está de fato realizando seu compromisso." A ministra mostrou-se bastante entusiasmada em participar da inauguração da exploração do campo de Jubarte. "Eu vim hoje do futuro. Lá eu vi o primeiro óleo do pré-sal", considerou. Na avaliação de Dilma, o País já está no caminho do crescimento, possui uma nova classe média e perspectivas de investimentos privados da ordem de R$ 1,4 trilhão até 2013 já mapeados pelo BNDES. "O País está hoje em situação de tranqüilidade como nunca antes na história deste País, digo, parafraseando meu presidente."

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