GABRIELA BILO / ESTADÃO
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'Não estou em busca de poder, tenho fome de servir', diz Onyx ao descartar saída da Casa Civil

Para o ministro, a demissão de Vicente Santini, ex-secretário executivo da pasta que foi o pivô da recente crise, já é 'pagina virada'

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2020 | 13h10

BRASÍLIA – Após cerca de uma hora de reunião com o presidente Jair Bolsonaro nesta manhã, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que o trabalho na pasta continuará normalmente. Ele descartou saída do ministério para outra função no governo e disse que a saída de Vicente Santini, ex-secretário executivo da pasta demitido por Bolsonaro à sua revelia, já é "pagina virada".

"Tive uma reunião de trabalho com o presidente Bolsonaro e as coisas continuam no seu curso normal. Não conversamos sobre mudança na Casa Civil, falamos sobre a rotina normal no Ministério", disse Onyx a jornalistas, ao sair do Palácio da Alvorada.

O ministro confirmou que o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) deixará a Casa Civil e irá para o Ministério da Economia, como previsto desde o início do plano de governo. Ele lembrou que mudanças de atribuições de ministérios já ocorreram no ano passado, citando o Coaf, que foi da Justiça para a Economia, e posteriormente para o BC, e a Cultura, que foi do Ministério da Cidadania para o Turismo.

Questionado sobre possíveis incômodos ao permanecer na pasta, após a perda de atribuições e a demissão de Santini, Onyx afirmou que não está em busca de poder e sim de "servir ao governo". "A demissão de Santini é página virada. O presidente Bolsonaro é meu líder. O que o presidente decidir eu cumpro, o que ele comandar, eu faço", afirmou.

Durante a curta entrevista, fez questão de passar a mensagem de que seu trabalho continuará normalmente a partir de segunda-feira. Ele citou uma reunião do grupo interministerial para o coronavírus, que acontecerá na Casa Civil às 10h, além de uma reunião com o ministro Paulo Guedes, para tratar da transição do PPI. Ainda na segunda, caberá a Onyx levar ao Congresso a mensagem presidencial de Bolsonaro para a abertura dos trabalhos no Parlamento. 

"A mensagem presidencial reafirma o norte do governo, que é a redução do tamanho do Estado e os investimentos que têm sido feitos para a digitalização dos serviços aos cidadãos", ele disse. "O governo vem fazendo uma série de reformas, que começou com a Previdência e está agora com o pacto federativo. A mensagem citará a continuidade das reformas, como a administrativa (que ainda não foi enviada pelo governo)." 

Onyx citou ainda outras atribuições que a Casa Civil continuará tendo, como o trabalho de adesão do Brasil à OCDE e o centro de governo para articulação de projetos do ministério.

Questionado sobre criticas à articulação o governo no Congresso, respondeu que o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, tem feito "excelente trabalho". "Não conheci governo que não tivesse problemas com o Parlamento. É da relação entre os poderes em todos os países. O governo precisa ter paciência, resiliência e diálogo. Já aprovamos projetos importantes e vamos continuar esse trabalho", encerrou o ministro. 

A permanência de Onyx é avaliada por aliados como importante porque o ministro é hoje um dos poucos nomes no governo com boas relações no Congresso, após conseguir aparar arestas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ser muito próximo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). 

Embora a articulação política do Planalto tenha passado para a Secretaria de Governo, comandada pelo general Luiz Eduardo Ramos, os militares enfrentam dificuldades para se relacionar com os congressistas. No ano passado, Ramos chegou a ser hostilizado em uma reunião na Câmara. Onyx tem a vantagem de acumular cinco mandatos como deputado.

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