André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

'Não estamos estendendo a mão a um governo que é efêmero e falível', diz Renan

O presidente do Senado disse que o governo Dilma 'não é o Brasil' e que a proposta anticrise visa a atacar problemas que continuarão existindo após o mandato da presidente

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 19h17

Brasília - No primeiro discurso após apresentar na segunda, 10, seu pacote anticrise ao governo federal, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta tarde que sua agenda não tem por objetivo ajudar a gestão da petista. "Não estamos estendendo a mão a um governo que é efêmero e falível", afirmou o peemedebista, ao destacar que o governo Dilma "não é o Brasil" e que a proposta visa a atacar problemas que continuarão existindo após o mandato da presidente.

Na tentativa de não criar um contraponto com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Renan disse que sua agenda é uma colaboração não somente do Senado, mas do Poder Legislativo. O peemedebista lembrou que o sistema é bicameral. Mai cedo, Cunha minimizou a aproximação do Palácio do Planalto com o Senado após o lançamento do pacote de Renan, também citando o fato que as propostas precisam passar pelas duas Casas Legislativas.

"Vivemos pela Constituição um sistema bicameral. Não vivemos um sistema unicameral. As duas Casas têm de funcionar e aprovar suas propostas. Não dá para achar que só o Senado funciona ou só a Câmara funciona", disse Cunha.

Caminhos. Segundo Renan, sua obrigação como presidente do Congresso é procurar caminhos novos, mesmo correndo o risco de errar. "Erro imperdoável numa crise é a inação, a abulia, esse erro procurarei sempre evitar. É preciso perder o medo de errar e de corrigir os erros", disse ele.

O presidente do Senado disse que não pretende impor uma agenda para o Brasil. Ele citou o fato de que nesta quarta-feira, 12, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, virá ao Congresso para discutir se aceita a iniciativa apresentada por ele, batizada de "Agenda Brasil". "Nós queremos e podemos ser vistos como facilitadores e não como sabotadores da nação", afirmou.

Renan, que se disse um "crítico transparente e claro do ajuste fiscal", defendeu um salto qualitativo no modelo de coalizão a partir de propostas e não com "fisiologismo". Para o peemedebista, é preciso encontrar saídas para a economia a partir da resolução da crise política. Segundo ele, só assim será possível respirar "os ventos da tranquilidade".

Ressalvas. A oposição viu com ressalvas o pronunciamento de Renan. O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), disse que a Casa não é responsável pela crise atual. "Não podemos ser massa de manobra no momento em que a nau naufraga, levada a pique pelo governo e pelo PT", criticou o tucano.

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse que a responsável pela crise é Dilma e o PT que estão no comando do País nos últimos 12 anos. "Se o Senado Federal não votar essa pauta complexa, a responsabilidade da crise é do Senado ? Não. A causa de tudo isso é o projeto de poder do PT", acusou.

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