Não é todo mundo que tem coragem de fazer reformas, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula disse hoje, a uma platéia formada sobretudo por sindicalistas e juízes, que não é todo mundo que tem coragem de fazer reformas. "Nós sabemos todos, mesmo aqueles que preferem não fazer nada, que reforma mexe muito com a nossa comodidade. É melhor ficar tudo como está. Para que mudar?", afirmou o presidente, durante a solenidade de lançamento do Fórum Nacional do Trabalho, realizada no Palácio do Planalto. Ele usou metáforas para defender as reformas previdenciária e trabalhista. "Isso vale até para uma casa que a gente vai reformar", disse. "Não é todo mundo que tem coragem de, no final do ano, pegar uma lata de tinta e pintar a sua casa. É melhor ficar como está. Para que trabalho?". Lula salientou que, do mais importante senador da República, passando pelo deputado com menos votos, empresários e sindicalistas, o País depende da aprovação das reformas. Da platéia faziam parte os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Maurício Corrêa, e em exercício do Tribunal Superior do Trabalho, Vantuil Abdala; os presidente da CUT e da Força Sindical, Luiz Marinho e Paulo Pereira da Silva, e o secretário-geral e ex-presidente da CUT, João Felício, além dos ministros da Previdência, Ricardo Berzoini; do Trabalho, Jaques Wagner, e da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. ?Outra cabeça?Lula afirmou, em seu discurso, que o tempo de ter sindicatos apenas de contestação já passou. Ele reconheceu ter-se notabilizado por esse tipo de atuação sindical, mas ponderou: ?Agora a história está a exigir, tanto dos trabalhadores quanto dos empresários, uma outra cabeça". Lula disse estar convencido de que o movimento sindical brasileiro precisa dar "um salto de qualidade e extrapolar os limites do corporativismo". "A luta, hoje, não se resume a ir a uma porta de fábrica e reivindicar 5% de salário," observou. "Isso é importante e necessário. Mas acontece que, ao sair da fábrica, o trabalhador é um cidadão e tem direito a outras coisas. O movimento sindical deve assumir uma representatividade dentro e fora da fábrica". Lula ressaltou que a responsabilidade dos movimentos sindicais hoje é muito maior. "Porque Paulinho, Marinho, Alemãozinho, quando vão à porta de uma fábrica, não fazem discurso apenas para os empregados. Eles têm de responder aos desempregados", afirmou. Segundo o presidente, é preciso haver mudanças na organização sindical do País. Ele observou que os sindicalistas deparam, nas portas de fábricas, "mais com trabalhadores vendendo alguma coisa do que com trabalhadores entrando para trabalhar".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.