'Não é o Governo que eu e mais de 54 milhões elegemos', diz criador do perfil Dilma Bolada

'Não é o Governo que eu e mais de 54 milhões elegemos', diz criador do perfil Dilma Bolada

Jeferson Monteiro, que faz sátira online da presidente, rompe com governo e critica negociações com o PMDB por ministérios

Tonia Machado, Isadora Peron, Valmar Hupsel Filho e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2015 | 16h47

São Paulo e Brasília - O publicitário carioca Jeferson Monteiro, criador do perfil satírico Dilma Bolada, publicou nesta quarta-feira, 30, em sua página pessoal no Facebook uma crítica à presidente da República. "Não é o Governo que eu e mais de 54 milhões de brasileiros elegemos", escreveu. Ele citou trecho de um samba famoso na interpretação de Beth Carvalho: "Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão".

A publicação se refere às negociações feitas por Dilma com o PMDB relativas à reforma minsiterial que o governo deve anunciar nos próximos dias. " Dilma não precisa do meu apoio no governo dela, nem o meu e nem do apoio de ninguém que votou nela. Afinal, para ela só importa o apoio do PMDB e de parte do empresariado para que ela se mantenha lá onde está. Trocou o governo pelo cargo. ", diz jeferson em outro trecho.

O personagem, que já acumula mais de 1, milhão de seguidores, surgiu em 2010 com o objetivo de satirizar a presidente recém-eleita, mas também como uma forma de apoá-la. Por isso, a publicação do publicitário em seu perfil social suscitou questionamentos e suspeitas de que a conta dele pudesse ter sido invadida por hackers anti-Dilma, fato negado por Jeferson em um comentário posterior. " Pessoal, só esclarecendo que ninguém invadiu minha conta e eu não fui hackeado."

No Twitter, ele também republicou vários comentários de seguidores com críticas à presidente. Um deles dizia que o rompimento da Dilma fictícia com o governo estava repercutindo mais que o do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Aos seguidores incrédulos, que se acostumaram com Monteiro elogiando e defendendo a presidente nas redes sociais, ele reafirmou em outra postagem tudo o que havia dito. "Pessoal, só esclarecendo. Ninguém invadiu minha conta, eu não fui hackeado", disse.

No ano passado, o publicitário chegou a ser recebido por Dilma no Palácio da Alvorada após as eleições. Apesar de admitir que recebeu propostas para fechar um contrato durante a campanha, ele afirmou na época que não havia chegado a um acordo e que nunca havia recebido dinheiro nem do governo nem do PT para continuar declarando o seu apoio à presidente.


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