Não é hora de pensar em vitória no 1º turno, diz Tarso

O candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, disse que não é hora de pensar em vitória no primeiro turno, mesmo que a pesquisa de intenção de voto do Datafolha divulgada hoje indique a existência da possibilidade se a campanha conseguir manter a curva ascendente dos índices. "Seria um desrespeito aos nossos competidores nós começarmos a avaliar agora (a possibilidade de vencer no primeiro turno), seria inclusive menosprezar o trabalho que eles podem fazer nesses próximos 30 dias", afirmou Tarso, ao comentar o resultado.

ELDER OGLIARI, Agência Estado

27 de agosto de 2010 | 19h41

Pelo levantamento, Tarso tem 42% das intenções de voto, equivalente à soma dos concorrentes que pontuaram. José Fogaça (PMDB) tem 27%, Yeda Crusius (PSDB) 14% e Pedro Ruas (PSOL) 1%. Os eleitores que declararam não saber em quem vão votar são 13% do total. Enquanto os demais candidatos estão com porcentuais estagnados em relação às pesquisas anteriores, o petista é o único que viu sua pontuação aumentar.

Na sondagem de 20 a 23 de julho, no mesmo instituto, ele tinha 35%, e na de 9 a 12 de agosto, havia atingido 38%. "Vamos nos esforçar para aumentar nosso porcentual e chegar muito bem ao segundo turno", prosseguiu o petista. "Se passarmos dos 50%, melhor, mas não é essa a nossa preocupação no momento."

Ele observou que, ao contrário de outros Estados, o "emparelhamento" dos índices dele, que já estava à frente da corrida eleitoral, com os de Dilma Rousseff só ocorreu nesta semana, quando a candidata do PT, que vinha em segundo lugar, passou a liderar a disputa presidencial no Estado, com 43% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Mas não deixou de reconhecer que pode ser beneficiado pela "onda Dilma". "O crescimento da Dilma em escala nacional ajuda a todos os candidatos do nosso campo em todo o País".

Estratégia

Segundo colocado com os mesmos 27% dos levantamentos anteriores, o ex-prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), disse que "a estratégia está se cumprindo" e a candidatura está na direção do segundo turno. "Claro que agora é hora também de uma intensificação da mobilização para que nós venhamos a crescer dentro desse processo."

Segundo o candidato, a campanha se intensifica em setembro e especialmente nos 15 dias que antecedem a eleição, e é nessa fase que o PMDB deve mostrar a força que tem no Rio Grande do Sul.

A análise de Yeda Crusius (PSDB), que teve 15% das intenções de voto na primeira e 16% na segunda sondagem, antes dos atuais 14%, é semelhante à de Fogaça. A tucana admite que sua campanha ainda não deslanchou e também prevê maior mobilização para atropelar na reta final, como ocorreu em 2006, quando só assumiu a condição de favorita na semana que antecedeu a votação do primeiro turno.

Quebra de sigilo

Tarso também qualificou a tentativa de ligar a campanha de Dilma à violação do sigilo fiscal de integrantes do PSDB, feita pelo tucano José Serra, de "mais um factoide à la Cesar Maia (ex-prefeito do Rio de Janeiro)". "Estão tentando criar uma conturbação no processo eleitoral com um candidato que está ladeira abaixo. Estão inventando um fato sem que haja um indício sequer que vincule o PT ou a Dilma (ao caso)", afirmou Tarso. "É inclusive uma movimentação política desqualificada do Serra que me surpreende."

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