DIDA SAMPAIO|ESTADÃO
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'Não é fácil', diz Janot sobre condução da Lava Jato na Procuradoria-Geral da República

Em evento do Ministério Público, procurador-geral da República ouviu elogios e disse que não escolhe quem investigar

Gustavo Aguiar, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2016 | 12h41

BRASÍLIA,- O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta terça-feira, 14, aos conselheiros do Conselho do Nacional do Ministério Público (CNMP) que "não é fácil" estar a frente das investigações da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal, mas que vai continuar o trabalho "republicanamente". 

"Posso dizer a vocês que não é fácil. Mas investigação não pode ter ideologia nem lado. Deus me livre do local em que a pessoa escolhe a quem investigar. Isso não é democracia", disse o procurador-geral, ao responder o apoio recebido pelos integrantes do órgão. "Temos de ser retos enquanto atuarmos no Ministério Público e, republicanamente, dar a todos o mesmo tratamento". 

"Nesse momento de turbilhão que a gente vive, a vida é de acordo com o desencadear dos fatos é um verdadeiro carrossel. Você está do céu e ao inferno em 24 horas. Você não agrada ninguém", reclamou o procurador-geral da República.

"Se temos o Brasil num caminho mais acertado, devemos isso não somente ao presidente do CNMP e ao procurador-geral da República, mas ao cidadão Rodrigo Janot", elogiou o conselheiro Walter de Agra, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no conselho. "Continue nesse caminho, nós precisamos de líderes como vossa excelência", disse outro conselheiro, Orlando Rochadel. 

Resposta. Na última sexta-feira, 10, em um pronunciamento contundente, Janot rebateu críticas e negou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha sido responsável por vazar a informação de que ele enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos de prisão contra líderes do PMDB como forma de pressionar o relator da Lava Jato na Corte, ministro Teori Zavascki. 

Na ocasião, Janot apontou que a teoria foi disseminada por "figuras de expressão nacional, que deveriam guardar imparcialidade e manter o decoro" e enviou à Polícia Federal um ofício para se apurar o responsável pelo vazamento. Caberá ao diretor-geral do órgão, Leandro Daiello, dar início ao procedimento. 

Sem citar nomes, o recado de Janot teve, aparentemente, um remetente em especial: o ministro do STF Gilmar Mendes que, na semana passada, criticou os vazamentos, disse que o caso trata-se de uma "brincadeira" com a Suprema Corte e "abuso de autoridade", insinuando que as informações teriam sido divulgadas pela PGR.

"Nunca terei transgressores preferidos, como bem demonstra o leque sortido de autoridades investigadas e processadas por minha iniciativa perante a Suprema Corte. Da esquerda à direita; do anônimo às mais poderosas autoridades, ninguém, ninguém mesmo, estará acima da lei, no que depender do Ministério Público", disse Janot.

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