'Não é do meu feitio interferir' em CPI, diz Lula

Presidente é questionado sobre atraso na CPI da Petrobras, que pode ser instalada nesta quinta-feira

Eugênia Lopes e Tânia Monteiro, Agencia Estado

03 de junho de 2009 | 17h31

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 3, que não é do seu feitio interferir em assuntos de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) e que as decisões devem ser dos partidos políticos e do Congresso. A afirmação foi feita em entrevista coletiva ao ser questionado sobre o atraso na instalação da CPI da Petrobras. A reunião de instalação da Comissão está prevista para esta quinta-feira, 4, às 11 horas.

 

Ao ser questionado, em entrevista coletiva, sobre o atraso e sobre as informações de que ele estaria sendo aguardado para buscar consenso entre PMDB e PT sobre a composição da CPI, Lula afirmou que as decisões sobre o assunto não dependem dele. "Não sei se alguém está me esperando para discutir negócio de CPI. Esse é um problema dos partidos. O Congresso criou a CPI, escolheu os membros, monte a CPI e toque o barco. Faça funcionar", disse Lula.

 

A reunião de instalação da CPI vai investigar supostas irregularidades na Petrobras e na Agência Nacional do Petróleo (ANP). Mas tanto os governistas quanto a oposição estão céticos em relação ao início efetivo dos trabalhos da CPI ainda esta semana. "Não sei se esse impasse se resolve e a CPI vai ser instalada", pondera o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento de criação da CPI da Petrobrás. A base aliada vincula a instalação da CPI à retomada da relatoria da CPI das Organizações Não Governamentais (ONGs).

 

Composição

 

O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), permanece irredutível na decisão de vetar a escolha do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para a relatoria da Petrobras. Renan Calheiros está inconformado com a manobra feita por Jucá que tentou se viabilizar relator com o apoio do Palácio do Planalto e do PT do líder Aloizio Mercadante (SP).

 

Paralelamente, Renan teria detectado ainda que Jucá trabalha para se apresentar como uma alternativa de poder na bancada do PMDB. Por isso, o líder do PMDB defende a indicação de Paulo Duque (PMDB-RJ) para um dos postos de comando da CPI da Petrobras. Com problemas de saúde, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que era a outra opção de Renan, passou para a suplência da comissão de inquérito. O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) passou a ser titular, no lugar de Quintanilha, mas não é considerado confiável na avaliação do líder do PMDB.

 

Além da briga dentro do PMDB, Renan também está em rota de colisão com o líder Aloizio Mercadante, que pretendia ficar com a presidência da CPI da Petrobras, enquanto Jucá seria o relator. Irritado com o acordo entre Mercadante e Jucá, Renan vetou a ida do petista para comissão. Além disso, o líder do PMDB ficou irritado com a escolha, feita por Mercadante, de Marcelo Crivella (PRB-RJ) como titular da CPI da Petrobras. Adversário político do governador do Rio, Sérgio Cabral, Marcelo Crivella é considerado "persona non grata" por Renan Calheiros. Em 2007, Crivella votou pela cassação de Renan. E no início deste ano, o senador fluminense apoiou a candidatura do petista Tião Viana (AC) contra José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado.

 

Partidos de oposição

 

Durante esta quarta-feira, os partidos de oposição se mantiveram firmes na decisão de não abrir mão da relatoria da CPI das ONGs. Prometiam ainda obstruir votações no plenário do Senado em represália à atitude dos governistas de não instalar a CPI da Petrobras.

 

Na semana passada, o presidente da CPI das ONGs, Heráclito Fortes (DEM-PI), nomeou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio Neto (AM), como relator do inquérito. Os líderes governistas alegam que havia um acordo para que a relatoria ficasse com a base aliada. O relator era o senador Inácio Arruda (PC do B-CE) que foi para a CPI da Petrobras e, por isso, passou a ser suplente na CPI das ONGs.

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