´Não discuto cargos para governo´, diz Lula a petistas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na terça-feira, antes de jantar com 70 deputados e 13 ministros do PT, que não discute cargos para o governo. "Discuto ministérios. Os partidos têm os ministros da área. Que se reúnam e discutam. Não cabe aos partidos indicar pessoas para cargos administrativos se elas não tiverem a competência técnica de que precisa o Estado para ser administrado". Lembrado de que no PT há muita reclamação quanto aos cargos - e ao lado dele estavam o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, dois dos que mais se queixam -, Lula respondeu: "Se alguém está se queixando, eu lamento profundamente".Lula se recusou a comentar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que mandou arquivar o processo contra o PT, por causa do dossiê montado na campanha presidencial para desmoralizar políticos tucanos. "Não sei da decisão. Lamento profundamente. Pelo fato de não saber, prefiro não comentar". Ao encerrar a entrevista, ele chegou a pedir ao deputado Berzoini que falasse sobre a decisão do TSE. Berzoini recusou-se a obedecer-lhe. Isso aconteceu por volta das 21h30. Mais tarde, já depois da meia-noite, Berzoini disse que a Justiça tinha decidido com base nos autos e que não caberia a ele fazer interpretações.CoalizãoO presidente afirmou que a partir da semana que vem iniciará uma série de reuniões com os partidos que compõem a sua base de coalizão. Na terça à noite foi a vez do PT. Antes, havia se reunido com o PMDB. "Isso se faz necessário porque temos uma coalizão muito bem organizada e os partidos estão com a disposição de atender às necessidades do País e votar as coisas importantes que estamos enviando para o Congresso", disse Lula, durante entrevista concedida antes do início do jantar. "O presidente disse que o PT é como uma criança que dá trabalho na infância mas que na fase adulta é um filho que só causa alegria", comentou o deputado Maurício Rands (PE) depois do jantar.Lula falou a respeito das divergências entre ele e o PT. Disse que são normais. "O PT sempre esteve afinado comigo, eu sempre estive afinado com o PT. As divergências que muitas vezes aparecem entre o presidente e o PT, entre o PT e o PT, fazem parte da história do PT. Quem acompanha a história do PT, como nós nascemos, os problemas que tivemos, a brigas internas, as disputas internas, que muitas vezes parecem absurdas aos olhos de um leitor de jornal, para nós é só o exercício da democracia elevado às suas últimas conseqüências. Sempre foi assim".O presidente afirmou ainda que não pede que os partidos aliados sejam submissos a ele. "Quando eu faço a coalizão com partido político, eu não peço submissão ao governo. Peço compreensão do que é importante. Muitas vezes os projetos que mandamos ao Congresso sofrem transformação, para melhor, ou para pior. E quando é para pior, o presidente tem o direito de vetar". Quanto à criação da CPI do Apagão Aéreo, Lula disse que esse não é um problema seu. "CPI é um problema do Congresso. Ele é que sabe a hora de fazer, de parar, de não fazer, o que vai investigar, não é um problema do Poder Executivo". Para o PT, durante discurso, Lula afirmou que um dos papéis da oposição é trabalhar por CPIs e que, se elas forem mesmo criadas, caberá a seu partido participar e fazer de tudo para ajudar o governo a sair da crise. JuventudeLula conclamou a juventude a despertar em si uma utopia e uma esperança que passem pela educação, emprego e família, para que se tente resolver o problema da segurança pública no futuro. "Tenho em mente que a questão de segurança pública não é só de política. Tenho estudado, criei um grupo de trabalho, determinei aos ministros que cuidam da área política no meu governo e das políticas sociais que é preciso estabelecer uma discussão não apenas para fazer um diagnóstico do que acontece na questão da violência no Brasil, mas para que a gente descubra que não é só a questão da pobreza", disse Lula.Com relação aos bingos, Lula lembrou que mandou uma medida provisória extinguindo o jogo no Brasil, mas foi derrotado pelo Senado. "Eu não pude fazer mais nada. Agora, a PF está apenas cumprindo a lei existente. A lei proíbe a existência de máquinas. Se existe a lei, a PF tem de fechar as casas que têm máquinas".Este texto foi alterado às 9h30.

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