Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Não direcionamos investigações para atingir adversários ou poupar quem quer que seja, diz Cardozo

Ministro da Justiça defendeu investigações da Polícia Federal e do Ministério Público e afirmou que, no passado, não havia pessoas que investigavam, mas sim engavetavam; para ele, devolução de valores desviados da Petrobrás deve ser comemorada

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2015 | 13h04

RIO - Em solenidade de desagravo à corrupção na Petrobrás, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que o País deveria celebrar a restituição dos valores à estatal, pois "no passado recente não tínhamos pessoas que investigavam, mas que engavetavam". Cardozo também enfatizou que não há direcionamento nas investigações "para atingir adversários ou poupar quem quer seja". O ministro fez uma enfática defesa do Estado Democrático de Direito, indicando que há independência entre os Poderes e autonomia das instituições.

"Se dói a todos os brasileiros presenciar que pessoas agiram mal com os recursos da empresa, deve ser momento de celebração que isso (a devolução) ocorra. No passado recente não era assim. No passado recente a cultura do 'rouba mas faz' imperava. Não tínhamos pessoas que investigavam, mas que engavetavam", sinalizou o ministro, repetindo o discurso de comparação entre os governos do PT e do PSDB.

O ministro defendeu as investigações realizadas pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, destacando que agora "se coloca sob a luz desvios que talvez sempre tenham acontecido". Cardozo ainda destacou ainda que o "que é desviado dos cofres públicos a ele retorna" e ressaltou que ninguém deve ser "punido ou execrado sem o respeito ao contraditório".

"Há que se celebrar um país que muda a partir de um momento de dor e tristeza porque se coloca sob a luz do sol desvios que talvez sempre tenham acontecido em nossa história. Hoje se consegue repatriar valores porque as instituições mudaram. Se puna aquele que tem que ser punido, se ofereça defesa a quem injustamente está sendo acusado. Muitos lutaram e muitos morreram para conquistar, mas o Brasil é um Estado de direito", enfatizou Cardozo.

Para o ministro, a cerimônia foi um "símbolo histórico", que ressalta a independência dos Poderes. "As investigações são feitas com autonomia, de modo que os órgãos oficiais não visam direcionar para que investigações atinjam seus adversários ou poupem quem quer que seja", afirmou o ministro durante solenidade nesta manhã, na sede da Petrobrás. Cardozo participou de cerimônia com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, para restituição de R$ 150 milhões à estatal. O dinheiro é fruto de desvios na empresa descobertos pela operação Lava Jato. 

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