''Não desisti de ser presidente''

Anthony Garotinho, ex-governador do Rio; Ele diz que sempre é tempo de recomeçar. E reclama de ?armadilhas? em 2002, quando concorreu à Presidência

Entrevista com

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

Quando discursa no Rio ao lado de Sérgio Cabral, o presidente Lula gosta de alfinetar o casal Garotinho. Reclama que a antecessora do governador, Rosinha Matheus, recusava parcerias e não o recebia em suas visitas ao Rio. Disposto a se reaproximar de Lula, a quem apoiou no segundo turno de 2002, o ex-governador Anthony Garotinho atribui o rompimento a intrigas do PT. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Estado.Mesmo em um novo partido, o PR, o senhor diz que não concorrerá em 2010. Vai recomeçar? Tenho 49 anos, sou muito novo. Sempre é tempo de recomeçar. Não desisti do sonho de ser presidente, mas meu projeto passa pelo Rio. Tenho que reconstruir o trabalho destruído pelo atual governador.Que erros cometeu ao tentar chegar ao Planalto? Não soube sair de algumas armadilhas. Quando terminou a eleição de 2002, eu e Ciro (Gomes) fomos convidados por Lula para sermos ministros. Ciro aceitou e eu não. O PT entendeu isso como uma deflagração da sucessão. Foi feito um cerco político e de mídia ao governo da Rosinha que eu poderia ter evitado. Eu não teria motivos para brigar com Lula. Quem criou isso foi o entorno dele, liderado pelo (ex-ministro) José Dirceu, que me via como uma ameaça. O que levou o governador Cabral a se afastar do senhor, já na transição em 2006? Não sei. Acho que é a natureza dele. Ele fez isso com (o ex-governador) Marcello Alencar (PSDB). Fez isso comigo. O presidente Lula que se cuide.Se for candidato, como vai explicar as investigações de corrupção no governo estadual que envolvem o senhor e sua mulher? O meu envolvimento no caso do Álvaro Lins (ex-chefe de polícia de Rosinha preso e investigado pela PF por ligação com a máfia de jogos ilegais) foi puramente político. Ele e os demais (envolvidos) são funcionários de carreira da polícia. Eu e Rosinha não tínhamos nada com isso. Não desconfiávamos dele, nem ninguém.

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