'Não dá para ficar no meio-termo', diz líder do PSDB na Câmara

Ricardo Tripoli reitera posição da cúpula do partido de se manter fiel ao governo até o momento, mas reconhece divisões internas

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2017 | 19h11

O líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), disse nesta sexta-feira, 2, ao Broadcast Político, serviço de notícia em tempo real do Grupo Estado, que a decisão da bancada do PSDB sobre a permanência do partido no governo Michel Temer será tomada na semana que vem. "Não dá para ficar no meio-termo. A opinião pública quer um desfecho", disse o parlamentar.

Tripoli evita manifestar sua posição pessoal, mas reconhece que a bancada está dividida. Segundo parlamentar, a maioria dos tucanos paulistas quer que o partido entregue os cargos que tem na administração federal. "Sou cauteloso, mas até o final da semana que vem vamos ter o desfecho na bancada. Estamos buscando a unidade partidária. Estão chamando os defensores do rompimento com o governo na bancada de 'cabeças pretas', mas o líder do grupo, deputado João Gualberto, tem 60 anos."

Declarações de fidelidade ao governo Temer dadas pelo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, de Washington, para evitar rompimento até que o peemedebista esgote todos os recursos de defesa, causaram desconforto entre os tucanos.

Viagem. O presidente Michel Temer embarcou para São Paulo para uma reunião com o governador Geraldo Alckmin, na noite desta sexta-feira, 2, na qual pedirá ao tucano que atue para impedir que o diretório do partido em São Paulo peça oficialmente o desembarque da gestão Temer.

O presidente estadual do partido, deputado estadual Pedro Tobias, marcou uma reunião ampliada para a próxima segunda-feira com vereadores, deputados, senadores e prefeitos do PSDB para debater a relação do partido com o governo federal. A expectativa é de que o encontro se torne "panela de pressão" e termine com o rompimento dos paulistas.

O temor do Palácio do Planalto é de que, se isso ocorrer, outros diretórios do PSDB sigam o mesmo caminho, o que ampliaria a pressão na bancada de deputados federais. A permanência do PSDB no governo é considerada por Temer crucial para que ele consiga recompor a base aliada.

O governador Alckmin, por sua vez, tem atuado em sintonia com o senador Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB. Em um jantar na noite de quinta-feira, 1, no Palácio dos Bandeirantes, Alckmin pediu aos sete principais prefeitos do partido no Estado, com exceção de João Doria, que eles ajudem a impedir que o diretório estadual decida pelo rompimento. O governador avalia que o cenário ideal é a permanência de Temer até as eleições de 2018.

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