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'Não cogito fazer delação porque não tenho culpa', diz Funaro

Suposto operador de propinas de Eduardo Cunha teve pedido de soltura negado na manhã desta quinta-feira, 10

Fábio Fabrini, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2016 | 12h35

BRASÍLIA - O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, em Brasília, decidiu manter a prisão do lobista e operador do mercado financeiro Lúcio Bolonha Funaro. Em audiência de custódia, realizada na manhã desta quinta-feira, 10, o magistrado entendeu que permanecem os fundamentos para manter o réu na cadeia. Ao sair da sessão, ele afirmou que não pretende fazer acordo para confessar eventuais crimes praticados por ele ou por terceiros:"Não cogito fazer delação porque não tenho culpa".

Funaro foi preso preventivamente em 1º de julho, na Operação Sépsis, etapa da Operação Lava Jato. Ele é suspeito de achacar grandes empresas para liberar investimentos da Caixa, exercendo a função de operador de propinas do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente encarcerado em Curitiba. Ambos são réus por corrupção e lavagem de dinheiro em ação penal, que também tramita no Distrito Federal. 

Durante a sessão, Funaro argumentou que sempre esteve disposto a colaborar com as investigações, tanto que firmou acordo de colaboração premiada no mensalão. Na Lava Jato não fez delação, mas entregou documentos que supostamente incriminam a família Schahin no esquema do petrolão. 

Defesa. Funaro se dispôs, caso seja solto, a se afastar de suas empresas e a se manter em Brasília, para ficar mais próximo do juízo. Ele reclamou que não tem acesso a documentos para instruir sua defesa. Além disso, seus advogados ressaltaram que, preso, o lobista não tem contato com a filha recém-nascida e não pode manter o tratamento de saúde da mãe. Foi requerido que o juiz decretasse medidas alternativas ao regime fechado, como a prisão domiciliar.

O Ministério Público Federal alegou que está "fartamente demonstrado" que o réu ainda representa rico à ordem pública e pode continuar cometendo atos ilícitos caso seja solto. Também lembrou que Funaro teria ameaçado testemunhas do caso, inclusive de morte, e que ele pode atrapalhar a ordem econômica das investigações, em decorrência das milionárias movimentações financeiras suspeitas que já realizou. 

"Em função da multiplicidade de atividades que exerce o custodiado, não me sinto seguro de converter a prisão em domiciliar", afirmou o juiz Vallisney de Souza Oliveira, que reiterou que pode revogar a decisão ou dar a sentença do processo após avaliar a defesa prévia do réu nas próximas semanas.

Segundo os advogados de Funaro, serão estudadas novas estratégias de defesa. Questionados sobre uma possível delação, responderam que o reú sempre colaborou com a Justiça.

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