Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

‘Não brigo com Gilmar, ele é que briga comigo’, afirma Janot

Procurador-geral da República, afirma, em entrevista à GloboNews, que 'não tem nenhum protagonismo' contra o ministro do Supremo Tribunal Federal

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2017 | 00h57

RIO - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta quarta-feira, 5, que “não tem nenhum protagonismo” contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. 

“Eu não brigo com ele, ele é que briga comigo. O ministro Gilmar não briga só comigo, briga com muita gente, e vocês podem constatar que eu não tenho nenhum protagonismo contra ele. O que eu tenho são respostas quando ele se refere a mim”, respondeu Janot ao jornalista Roberto D’Ávila, em entrevista exibida na noite desta quarta-feira pelo canal GloboNews. 

Sobre a reação do presidente Michel Temer diante da denúncia apresentada por ele, o procurador-geral afirmou que “é uma técnica que não é desconhecida pelo Ministério Público de as pessoas investigadas ou denunciadas não se referirem aos fatos, mas tentarem desconstituir ou desacreditar a figura do investigador”. Em relação às críticas à denúncia que apresentou contra o presidente, Janot afirmou que “a narrativa é fortíssima”: “Se isso é fraco, eu não sei o que seria forte”.

O procurador-geral defendeu o acordo feito com o empresário Joesley Batista e negou que ele tenha gravado a conversa com Temer já sob orientação do Ministério Público. “Ele fez essa gravação para nos convencer, no futuro, a aceitar a colaboração dele. Em sã consciência, nenhum brasileiro iria acreditar em um sujeito que se apresenta para uma colaboração, é investigado em primeiro grau por ilícitos e diz assim: eu conversei com o presidente da República e nós acertamos um interlocutor para depois acertarmos ilícitos.” Janot afirmou que, ao ouvir a gravação pela primeira vez, ficou “chocado” e sentiu “náuseas”.

Janot reclamou dos vazamentos das investigações, garantiu que não vai se candidatar a nenhum cargo político e fez elogios burocráticos a Raquel Dodge, que vai substituí-lo na função a partir de setembro. “(Espero) que ela tenha uma atitude de Ministério Público e acredito que terá. Somos todos formados na escola de Ministério Público. A responsabilidade dela será enorme, ela vai ter muito trabalho e desejo a ela sucesso. Nós interpretamos os procedimentos de forma diversa e a forma de trabalho minha é diferente da dela, mas somos todos Ministério Público.”

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