'Não adianta choramingar', diz Lula ao cobrar votação de MPs

Empenhado na votação das medidas de interesse do governo, presidente chama aliados e quer resultados

LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

24 de março de 2008 | 20h44

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta segunda-feira, 24, dos partidos aliados ao governo pressa na votação das 23 medidas provisórias (MPs) que estão em tramitação no Congresso (Câmara e Senado), 13 das quais trancam a pauta da Câmara.  A cobrança de Lula, durante reunião do conselho político, foi relatada pelo senador Renato Casagrande (PSB-ES) e pelo deputado Beto Albuquerque (PSB-RS). No encontro, realizado no Palácio do Planalto, o presidente disse, segundo Casagrande e Albuquerque, que "quem tem maioria tem de exercer a maioria".   Veja também:   ESPECIAL: Veja quantas MPs cada presidente editou Em reunião com ministros, governo admite negociar MPs Governo reitera que fará sindicância sobre 'dossiê' de FHC Presidente decide congelar envio de MPs ao Congresso Acordo para votar 14 MPs não inclui cargos, diz Chinaglia Governo quer tratar MPs como questão de Estado, diz Fontana   Lula disse também: "Não podemos fazer coro com lamúrias da oposição ou mesmo de setores do governo. Temos de votar. Não adianta choramingar." O senador do PSB do Espírito Santo e o deputado do PSB do Rio Grande do Sul afirmaram ainda que ele pediu que os partidos aliados não tentem resolver as questões fazendo o jogo da oposição.O presidente referia-se, entre outros, ao PR, que tem ameaçado fazer obstrução às votações, e também a setores do PMDB. "Não adianta o Corinthians, que não anda bem, pedir ao adversário para lhe dar um gol", de acordo com o relato. Depois de ouvir aliados defenderem, na reunião, proposta para definir, no Congresso, que uma MP passe a trancar a pauta sempre que a maioria assim decidisse, reagiu: "Ah, se tem maioria para destrancar (a pauta), por que já não votam as matérias?"     Após a reunião, o líder do PR, Luciano Castro, afirmou que se para limpar a pauta de votações for necessário um enfrentamento com a oposição, a base está disposta a enfrentá-la. Já o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), disse que o governo prefere sempre optar pelo caminho da negociação e do entendimento, Por isso, pede que se votem as MPS que estão trancando a pauta no Congresso. Segundo ele, "esta obstrução radicalizada da oposição está prejudicando os trabalhos".   Fontana ressaltou que o governo quer o diálogo, mas se a oposição insistir no enfrentamento, o governo tem maioria e vai colocá-la em plenário para votar e destrancar a pauta. Segundo ele, "não há custo político" nenhum nisso. "Estamos convocando a base. Ela estará em plenário e vamos votar", prometeu.   (Com Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo)  

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