Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

'Não acredito em Eduardo Cunha, governo está sendo chantageado', diz petista do Conselho de Ética

Segundo Zé Geraldo, ainda não há consenso entre os três petistas do colegiado sobre voto; parlamentares temem serem apontados como responsáveis pela abertura do impeachment de Dilma

Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2015 | 19h56

BRASÍLIA - Um dos três integrantes do PT no Conselho de Ética na Câmara dos Deputados, Zé Geraldo (PT-PA), disse nesta terça-feira, 1º, o governo está sendo vítima de chantagem do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo o petista, para se livrar do processo que pode culminar com a cassação de Cunha, o peemedebista está colocando uma “metralhadora” e “a faca no pescoço” do governo ao ameaçar a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Zé Geraldo diz que a chantagem é contra o Palácio do Planalto e não contra o PT, cujo presidente nacional, Rui Falcão, manifestou-se nesta tarde a favor a admissibilidade do processo contra Cunha. “Não acredito em Eduardo Cunha. O governo está sendo chantageado. O PT ninguém chantageia”, afirmou o deputado do PT.

Por mais de uma vez, Zé Geraldo fez menção à ameaça ao governo. “Está com a faca no pescoço, sim. Está com a faca no pescoço porque a ameaça de impeachment é uma ameaça que existe e está na mão de Eduardo Cunha”, afirmou.

Em seguida, subiu o tom. “Se fosse só uma faca, estava bom. É uma metralhadora. Todo mundo sabe que o Cunha trabalha com esta arma. Não só o Cunha, o grupo dele e o PSDB está só esperando”, afirmou. “A metralhadora está na mão do Cunha. Nós não confiamos no Cunha. O Cunha já votou tanta pauta negativa neste País durante este ano que, para botar uma para acabar com o resto... Quer coisa mais desastrosa do que num final de ano, início de ano, estar discutindo uma pauta de impeachment neste País?”, disse Zé Geraldo em entrevista durante sessão do Conselho de Ética.

“Estamos levando em consideração esta arma que o Cunha tem na mão. Não estamos subestimando. Eu não subestimo. Acho que o Cunha pode botar uma pauta de impeachment sim, até para ofuscar a situação dele”, afirmou.

Segundo Zé Geraldo, ainda não há consenso entre os três petistas – além dele, Valmir Prascidelli (SP) e Léo de Brito (AC). Eles queriam votar favoravelmente ao voto em separado apresentado pelo deputado Wellington Roberto (PR-PB) em detrimento do parecer do relator Fausto Pinato (PRB-SP). Assim como Pinato, o deputado do PR é favorável à admissibilidade do processo, mas já estabelece uma pena, a censura pública, mais branda que a cassação. No entanto, este ainda não é o momento de se estabelecer punição.

“Estamos trabalhando para unificar a bancada. Estamos com dificuldade para unificar para votar admitindo o novo relatório, não admitindo o relatório do Pinato”, afirmou Zé Geraldo.

Segundo o deputado, os três petistas temem serem apontados como responsáveis pela abertura do impeachment. “Se acontecer de ele startar e nós sermos os culpados de ter acontecido o impeachement no Brasil? Esta é a reflexão que estamos fazendo. Não é uma decisão fácil porque ela tem que ser nossa. Se você for aceitar a opinião externa da sociedade e do PT, temos que votar pela admissibilidade do relatório. Pela nossa posição de ser prudente no sentido de evitar qualquer pauta que venha desestabilizar inclusive a democracia deste País, precisamos ter o cuidado de repensar o nosso voto e até pensar em não admitir o voto do relator”, afirmou.

Para o deputado, a manifestação de Rui Falcão os coloca em uma saia justa. “PT é PT e governo é governo. Nós somos PT e somos governo. Esta é a crise. Estamos (numa saia justa) porque somos PT e os responsáveis pelo destino deste País. Quando a bomba explodir, não vai cair no colo dos aliados, vai cair no colo do PT”, afirmou. “Hoje recebi ligações dos que querem afastamento do Cunha e dos que querem orçamento para fazer o Brasil funcionar. Se eu estivesse na oposição, não estaria em crise”, disse Zé Geraldo. “Nós três somos do PT, que governa o Brasil. Somos de um partido e somos também de governo”.

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