Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Não achamos necessária autonomia do BC, afirma Dilma

Segundo candidata, adversários acreditam que 'emprego e salário não garantem produtividade'

RAFAEL MORAES MOURA E TÂNIA MONTEIRO, Estadão Conteúdo

10 de setembro de 2014 | 16h38

Em mais um embate com a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, a presidente Dilma Rousseff reiterou nesta quarta-feira que não é a favor da autonomia do Banco Central - a autonomia do BC é uma das principais propostas da campanha de Marina na área econômica. Dilma também acusou os adversários de querer aplicar uma "política recessiva" que, segundo ela, não está dando certo no mundo.

O programa de governo de Marina promete "assegurar a independência do Banco Central o mais rapidamente possível, de forma institucional, para que ele possa praticar a política monetária necessária ao controle da inflação".

"Quem quer autonomia do Banco Central não sou eu. Quem tem de explicar por que quer não sou eu", disse Dilma, em coletiva de imprensa no Palácio da Alvorada. "Esse povo da autonomia do BC quer o modelo anterior, um baita superávit, aumentar os juros pra danar, reduzir emprego e reduzir salário. Porque emprego e salário não garantem a produtividade, segundo eles. Eu sou contra isso."

Dilma disse que cada setor do País merece ser escutado para apresentar seus interesses, considerados legítimos, "incluindo os bancos", destacou. "Agora entre isso e eu achar que os bancos podem ser aqueles que garantem a política monetária, fiscal, cambial, vai uma diferença. Eu acho que a gente, quando é eleito, tem o mandato do povo. E quando a gente tem o mandato do povo como presidenta, a gente tem de respeitar as relações de poder expressas na Constituição", ponderou.

"Eu acredito que nós temos de encarar seriamente as políticas e as propostas desta eleição. Porque a mim me parece que o que estão querendo aplicar aqui não está dando certo no mundo, que é uma política recessiva. Nós seguramos essa crise mantendo o investimento", afirmou.

De acordo com a presidente, o que se discute atualmente é o "modelo de enfrentamento da crise" econômica mundial. "Quando que, no passado, diante da crise, se investia em concessão de rodovia? Fazemos obras públicas. Quando nesse país, com a crise, se colocava R$ 143 bilhões para fazer transporte público de massa?", questionou.

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