Nanicos se reúnem para discutir formação de bloco na Câmara

Grupo de dez siglas promove encontros nesta semana para tentar formalizar um acordo de alianças envolvendo 24 parlamentares

José Roberto Castro, O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2014 | 16h45

São Paulo - Representantes de dez partidos nanicos têm duas reuniões esta semana em Brasília onde pretendem formalizar a criação de um bloco parlamentar para atuar na Câmara. Com 24 deputados, o grupo quer ganhar espaço em comissões e poder de negociação em votações, além de lutar por causas próprias, como impedir a volta da cláusula de barreira.

Na quarta-feira, na sede do PHS, os presidentes dos dez partidos se encontram. Na quinta, já com a intenção de formalizar o acordo, haverá também a participação dos 24 parlamentares que formarão o bloco. O grupo é formado por PRTB, PTC, PMN, PTN, PHS, PTdoB, PRP, PEN, PSL, PSDC - todos com menos de cinco deputados cada.

"Esse grupo se conscientizou de que sozinho não temos importância, mas com 24 somos respeitados. Os partidos que têm 24 deputados têm ministério, têm assento na Mesa Diretora. Esse bloco passa a ter direito de presidir uma comissão", afirma Eduardo Machado, presidente do PHS, o maior partido do bloco, com cinco parlamentares.

Machado diz que os encontros entre as legendas envolvidas vão definir, entre outras coisas, a posição do grupo dos nanicos sobre uma possível inclusão dos médios PROS e PRB no bloco, o que elevaria o número de parlamentares para mais de 50. As conversas com os partidos médios estão em fase inicial, enquanto a criação do "G-10" é dada como certa.

A inclusão de duas legendas que, juntas, têm mais deputados do que os outros dez partidos, é vista com desconfiança por outro participante do "G-10", o presidente do PRTB, Levy Fidélix. Na visão do ex-presidenciável, o principal entrave para que as conversas avancem está no posicionamento frente ao governo. "O nosso grupo não quer apoiar Dilma", diz Levy. "Não queremos somar para ganhar Ministério. Já falei isso com o PRB e o PROS".

Eduardo Machado é mais comedido e diz que a discussão sobre ser ou não governo deve ficar para um segundo momento. "O que não queremos é ser decididamente uma bancada governista, nem necessariamente oposicionista. Queremos ter uma posição independente de acordo com o que achamos correto", afirma.

Mesmo admitindo a dificuldade de manter a unidade entre parlamentares de dez legendas diferentes, Machado acredita que os motivos para a união são mais fortes do que as eventuais divergências. Ele e Levy usaram a mesma palavra para falar sobre a formação do bloco: "sobrevivência". "Quero é sobreviver. Vamos atuar contra a cláusula de barreira. O pluripartidarismo está previsto na Constituição. Que escândalo nós temos? Ao contrário dos grandões, nenhum", provoca Levy Fidélix. Machado se preocupou em dizer que a cláusula de barreira é apenas um dos motivos para a formação do bloco, não o principal.

Confederação de partidos. Com a formação do bloco já praticamente acertada, Levy Fidelix quer levar à reunião a discussão sobre um acordo que vá além das votações na Câmara. A intenção do ex-presidenciável é reeditar a ideia da Confederação Nacional de Partidos Políticos (CNPP). Pela Confederação, os dez partidos estariam juntos nas assembleias estaduais e nos municípios. Apesar de atuarem juntos, manteriam independência interna.

Questionado sobre se, na prática, a confederação seria um partido único, Levy garantiu que não. Ele não teme que a Justiça Eleitoral interprete tal aliança como uma fusão. "É uma situação nova. Uma solução inusitada e muito inteligente", diz.

O líder do PTdoB na Câmara, Luís Tibé (MG), é mais cauteloso quanto à criação da Confederação. "Não tem nada muito fechado ainda não. No primeiro momento, estamos formando o bloco na Câmara, que é o mais pontual e imediato", afirma o deputado mineiro, que diz que o importante é incluir os nanicos nas discussões da reforma política.

O presidente do PHS não descarta a formação da Confederação, mas segue o líder do PTdoB ao dizer que o assunto não será decidido neste momento. "É um projeto, ou um sonho, exclusivamente da cabeça do Levy. Pode ser analisado em um segundo momento. Assim como ser governo ou não, será discutido depois. Não descarto a Confederação, mas não há necessidade de discutir isso agora. Existe uma afinidade natural entre os partidos pequenos. Num terceiro, quarto ou quinto momentos podemos discutir isso".

Mesmo sem a formação de uma confederação que crie alianças formais e fixas em Estados e municípios, Machado é favorável à cooperação entre os nanicos. "O G-10 vai poder, num futuro breve, unido onde for possível, eleger centenas de prefeitos e vereadores. Essa união do G-10 vai nos fortalecer não só na Câmara", afirma.

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