Namorada de PC Farias tentou se afogar, diz garçom em depoimento

Testemunha relatou briga entre Suzana Marcolino e o empresário dois dias antes da morte do casal; defesa dos quatro policiais suspeitos de participação no caso defende tese de crime passional

Carlos Nealdo - especial para O Estado

06 de maio de 2013 | 18h21

MACEIÓ - A segunda testemunha a prestar depoimento nesta segunda-feira, 6, durante o julgamento sobre a morte do empresário Paulo César Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, afirmou que Suzana teria tentado suicídio após uma briga com o empresário, dois dias antes da morte do casal. O júri do caso começou na tarde desta segunda, 17 anos depois do crime. Os jurados irão decidir se os réus, quatro policiais que trabalhavam como segurança de PC Farias, tiveram participação nas mortes, como afirma a Promotoria.

A segunda testemunha a depor foi Genival da Silva França, garçom da casa de praia de PC Farias. Segundo ele, Suzana Marcolino teria se jogado no mar de Guaxuma, praia localizada ao norte de Maceió, depois de discutir com o empresário por causa de um telefonema. França relatou que, após receber um telefonema, PC Farias discutiu com Suzana, que saiu correndo em direção ao mar. O empresário então teria pedido ao garçom para segui-la, na tentativa de evitar algum incidente. "Eu pedi para o meu irmão, que trabalhava comigo na casa, ir atrás dela", contou ao júri. "Ela acabou se debatendo nos braços dele, mas acabou sendo retirada do mar", contou.

O promotor Marcos Aurélio Gomes Louzinho questionou a razão de o garçom contar o episódio somente agora. "Porque tem coisa que a gente esquece, doutor", respondeu a testemunha. A defesa dos réus sustenta a tese de que Suzana matou PC Farias por ciúmes e depois cometeu suicídio.

Em depoimento que durou pouco mais de uma hora, Genival da Silva revelou ainda os momentos que antecederam a morte do casal, no domingo, 23 de junho de 1996. De acordo com seu depoimento, PC Farias saiu para caminhar na praia de Guaxuma por volta das 11h30 do sábado, 22, e voltou cerca de duas horas depois. Ao chegar, foi para a piscina acompanhado dos filhos Ingrid e Paulo Farias - o Paulinho -, na época menores de idade.

Genival da Silva informou que, no dia do crime, bateu na porta do quarto de PC Farias por volta das 11h30, como sempre fazia a pedido do empresário. "Mas ninguém respondeu lá dentro", contou. "Fui até a janela, bati e ninguém respondeu", completou, informando que nesse momento, chamou o segurança Reinaldo Correia de Lima Filho que, com a ajuda do jardineiro Leonino Tenório Carvalho, conseguiram arrombar a porta.

Depois de tentar ligar para Flávio Almeida, secretário de PC Farias, e Juarez Alves, motorista do empresário, o segurança ligou para o então deputado federal Augusto Farias, irmão de PC, que chegou ao local em cerca de meia hora, segundo o depoimento. De acordo com o garçom, nenhum funcionário da casa mexeu nos corpos. "Assim que a porta foi aberta, o Reinaldo entrou no quarto, chamou o doutor Paulo, depois pôs a mão no pescoço dele e percebeu que ele estava morto", contou.

Primeira testemunha. O jardineiro Leonino Tenório Carvalho foi o primeiro a prestar depoimento. Ele limpou o quarto onde ocorreram as mortes e ateou fogo no colchão onde foram encontrados os corpos. "A ideia [de atear fogo no colchão] foi minha, porque pensei que não iria incomodar mais", alegou o jardineiro, diante dos jurados. "Todo bagulho que não tem mais utilidade a gente joga fora", explicou.

Serão ouvidas mais de 25 testemunhas entre acusação e defesa. A previsão é de que o julgamento dure entre quatro e cinco dias. São réus do caso os policiais Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva, ambos acusados pelo Ministério Público do Estado (MPE) de participação nas mortes do casal e de omissão, já que trabalhavam como segurança e não impediram os crimes.

O crime. O casal foi morto a tiros. Na ocasião, os primeiros exames periciais indicavam um crime passional. A tese é sustentada pela defesa dos policiais. Perícias realizadas depois, no entanto, confrontaram essa versão e a Promotoria investigou o caso como "queima de arquivo", em razão dos processos ligados ao empresário. O irmão de PC, o então deputado Augusto Farias, chegou a ser alvo de inquérito, apontado como mandante do crime, mas a investigação contra ele foi arquivada em 2002.

Paulo César Farias ficou conhecido como o tesoureiro de campanha do então candidato Fernando Collor à presidência da República. Em novembro de 1993, PC Farias - que teve a prisão preventiva decretada por crime de sonegação fiscal -, foi preso na Tailândia, para onde fugira, e transferido para o Brasil. Condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a sete anos de prisão, o empresário acabaria cumprindo parte da pena no quartel do Corpo de Bombeiros de Maceió, até ganhar a liberdade condicional. O duplo assassinato ocorreria seis meses após o empresário sair da prisão.

 

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