''Nada há contra eles'', reage advogado

Ronei Danielli afirma ainda estar indignado com os grampos telefônicos

O Estadao de S.Paulo

20 de setembro de 2008 | 00h00

O advogado Ronei Danielli, que integra renomado escritório de Florianópolis, informou que o deputado Décio Lima (PT-SC) e o genro do presidente Lula, Marcelo Sato, não são investigados pela Operação Influenza. Ele disse que não há tráfico de influência.Danielli assevera que a Justiça Federal já se manifestou expressamente sobre ausência de "qualquer elemento indiciário" contra Lima e Sato.O advogado está indignado com os grampos. "Décio Lima é um deputado muito atuante e honesto. Certamente há uma grande relação de empresas idôneas de Blumenau atendidas por ele nas suas mais diversas necessidades, todas elas republicanas", assinala Danielli.As primeiras reportagens com trechos das escutas foram publicadas pela imprensa local e agitaram a campanha eleitoral à Prefeitura de Blumenau. O Diarinho, de Itajaí, e o Jornal de Santa Catarina transcreveram trechos de relatórios confidenciais da PF que expõem o petista e o genro do presidente Lula."Como eu posso saber se as conversas gravadas do Décio e do Sato são realmente nesses termos?", argumenta o advogado. "São conversas esparsas, pedacinhos de conversa tirados em vários pontos do conjunto. Quem pode garantir que os diálogos têm mesmo esse formato?"Ronei Danielli questiona: "Onde está o ato ilícito? Não há nos autos qualquer registro de que efetivamente os pedidos (de Francisco Ramos, da Agrenco), tenham sido atendidos. Não há nada que indique movimentos do deputado ou de Marcelo Sato em repartições federais. A defesa não tem a mínima preocupação com o processo. A vida dos dois foi esmiuçada. Nada há contra eles.""Tanto não existe que a Justiça não remeteu o inquérito para o Supremo Tribunal Federal, que tem competência para examinar ações sobre parlamentar", ressalta o advogado.O inconformismo de Ronei Danielli é com autorizações judiciais para interceptação de "mais de 150 pessoas sem a menor justificativa, manifestamente ilegais". Para ele, "a Influenza está morta, extinta, a origem dela é a nulidade absoluta". Ele levou o caso ao Conselho Nacional de Justiça.Claudio Gastão Rosa Filho, advogado de Francisco Ramos, enviou ofício à PF colocando seu cliente "à disposição para qualquer esclarecimento". Ele pediu inquérito para investigar o vazamento da Influenza, que corre sob segredo de Justiça."Não existe acusação formal contra Ramos", protesta o advogado. "A investigação nunca termina. A defesa tem dificuldades porque ainda está tentando ter acesso aos autos, 9 volumes e 70 apensos.""É uma barbaridade o que estão fazendo", desabafa Claudio Rosa Filho. "Meu cliente nega de forma peremptória qualquer prática ilegal. As sucessivas prorrogações de prazo do inquérito causam prejuízo moral e financeiro para Ramos, que está com os bens indisponíveis."

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