Nada é pior do que dizer 'já ganhou', diz coordenador de campanha de Dilma

Segundo José Eduardo Cardozo, corrida à Presidência da República será 'dura daqui em diante'

Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires,

18 de agosto de 2010 | 16h15

"Teremos uma campanha dura daqui em diante". A frase foi pronunciada nesta quarta-feira, 18, na capital argentina pelo deputado federal José Eduardo Cardozo, coordenador da campanha da candidata presidencial Dilma Rousseff (PT). Cardozo, que passou menos de 24 horas em Buenos Aires para participar da edição portenha do Foro de São Paulo - que reuniu representantes dos partidos de esquerda, centro-esquerda e progressistas da América Latina e Caribe - sustentou, em referência aos candidatos da oposição, que "os adversários serão aguerridos. Eles não possuem discurso. E, quando não possuem discurso, fazem golpes abaixo da cintura. A História mostra que é assim".

 

Cardozo também reclamou do preconceito ainda existente pelo fato da candidata do PT ser uma mulher. Segundo o petista, "os adversários insistiram muito nos últimos tempos que Dilma ia 'derrapar'. Mas, foi o inverso. A população viu que estavam tentando construir uma imagem distorcida dela. Mas a tendência é que Dilma cresça cada vez mais nas pesquisas".

 

No entanto, o coordenador da campanha argumentou que o "importante" é não cantar vitória antes do tempo: "não há nada pior do que dizer 'já ganhou'. Nós não ganhamos a eleição ainda". Cardozo afirmou que a população tem "cada vez mais claro" que Dilma "é a continuidade do atual governo".

 

O papel do presidente Lula no eventual governo Dilma poderia ser o de hipotético fornecedor de conselhos. "Ela já disse que quer ter Lula de conselheiro", afirmou Cardozo. O coordenador da campanha de Dilma indicou que as funções de conselheiro do futuro ex-presidente Lula não implicarão em um posto dentro do gabinete: "Ele estará fora da estrutura de governo".

 

Cardozo preferiu omitir nomes de terceiros candidatos quando foi consultado pelo Estado sobre o comportamento dos eleitores de Marina Silva (PV) em um eventual segundo turno entre Dilma e Serra: "A impressão que tenho é que se houver um segundo turno Dilma terá condições de sair vitoriosa e abocanhar grande parte dos votos dos candidatos que não forem para a seguinte votação".

 

O diretor do Foro de São Paulo e secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, autodefiniu-se como "um daqueles que dentro do PT nunca teve dúvidas sobre as chances presidenciais de Dilma".

 

"Eu não sou daqueles que acha que (Dilma) tem vitória já no primeiro turno. Matematicamente é possível. Politicamente, é muito improvável. Eu acredito que vai ter vitória no segundo turno. O eleitorado que vota no Serra é muito sólido. Você vê que há outras candidaturas que estão sendo estimuladas a ter votos". Cauteloso, Pomar ilustrou: "não dá para subir no salto alto". No entanto, destacou que para o candidato do PSDB, José Serra, "a missão é muito difícil", já que precisa enfrentar um governo (Lula) que conta com "resultados positivos".

 

Apelidos. Em referência ao uso intenso do apelido de "Zé" nos últimos dias por parte da campanha do candidato tucano, Pomar ironizou: "não adianta mudar de nome ou apelido". Segundo Pomar, não importa se Dilma "parece simpática ou não": "não estou escolhendo um amigo! Estou escolhendo um presidente...".

 

O petista afirmou que "a linha política de Serra é o de atemorizar o país em relação a nós". No entanto, o secretário de Relações Internacionais considera que a oposição não pode "subestimar a inteligência política do povo brasileiro, já que a vida das pessoas melhorou muito nestes sete anos e meio".

 

Viagens. Ao contrário das viagens de Lula aos países da região na campanha presidencial de 2002, não há planos de que Dilma visite a Argentina antes do primeiro turno, indicou Cardozo. "Naquela época (na campanha de Lula) não havia contatos (nos países da região). Hoje em dia, nos conhecemos. Esse tipo de viagens na região atualmente não são tão necessárias durante a campanha", disse.

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