Nada acontece em 2010 sem PMDB, sustenta Temer

Para ele, partido passa a ser ''peça política essencial'' em qualquer conversa séria sobre a sucessão de Lula

Gabriel Manzano Filho, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2008 | 00h00

"Nada importante em matéria de acordos políticos para 2010 vai acontecer, a partir de agora, sem passar pelo PMDB." É essa a principal marca, segundo o presidente do partido, o deputado federal Michel Temer (SP), do cenário político que saiu das urnas no domingo. Feliz com os novos números, solicitado a toda hora e já com agenda superlotada, ele deixou São Paulo, ontem à tarde, a caminho de Brasília, afirmando que a legenda "passa a ser uma peça política indispensável em qualquer conversa séria sobre a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva". O PMDB dispõe de hoje em diante de "uma situação nova, privilegiada", garante. "E esse é um dos temas que vamos avaliar na reunião da Executiva, que acabamos de convocar para a semana que vem."Nessa reunião, o partido fará um balanço dos avanços - "temos um cenário de grande prosperidade para o partido". Os peemedebistas, que elegeram 1.059 prefeitos em 2004, saltam em janeiro para 1.202, passando a administrar uma área onde vivem e votam 28,8 milhões de eleitores. Temer aceita a imagem de que o PMDB "é uma noiva a ser cortejada", seja por PT ou PSDB, nos futuros lances presidenciais. Mas se enche de cautela quando se fala de nomes - inclusive peemedebistas. "Nomes não são assunto para este momento. Definições desse tipo são para o segundo semestre do ano que vem", afirma.Ele acha que se trata, sim, de uma virada. "Imagine que nesses dois últimos mandatos, praticamente, o partido ficou sem compor chapas, num papel mais periférico." Daqui para a frente, isso pode mudar. "Posso garantir que, sem nosso apoio, será difícil outras forças fazerem alianças importantes para 2010." Temer rejeita insinuações de que seu apoio "vai ficar mais caro" porque agora comanda mais votos. "Tem-se falado que o PMDB, por ter tido uma grande votação, vai exigir mais espaço no governo. Mas nego peremptoriamente essa outra hipótese, a respeito de cobranças: não haverá cobrança de nenhuma espécie."EQUILÍBRIOO PMDB, segundo ele, "já tem uma posição adequada" no governo. O papel de noiva a ser conquistada é algo que se tem repetido ao longo do tempo. O partido será sempre cortejado, "mas as situações continuarão sendo avaliadas sempre dentro do próprio PMDB".Para isso, a grande receita é continuar mostrando equilíbrio, adverte. "Acho que esse é um fator que, daqui por diante, será ainda mais significativo", diz o presidente do partido. "No que depender de mim e de outros companheiros no PMDB, essa função equilibradora do partido, que se consolidou aos poucos, vai se afirmar cada vez mais." Até por uma questão numérica, lembra Temer. Com o aumento do poder do partido, sua capacidade de garantir o equilíbrio entre as outras forças se torna mais relevante.Temer não vê grandes mistérios nos resultados das grandes capitais, no segundo turno - quando seu partido se deu bem em Porto Alegre, por exemplo, e perdeu de virada em Belo Horizonte, onde parecia prestes a derrotar uma forte aliança entre PT e PSDB. "Vejo um fenômeno curioso que ocorreu no domingo. A eleição não foi federalizada e nem estadualizada. Num nível muito maior que antes, ela foi, de fato, municipal." Fatores locais foram decisivos, segundo ele - "o que é útil e representa um progresso da política brasileira". Pois venceram, convencendo os eleitores, aqueles candidatos que, independentemente de partidos ou alianças, melhor souberam propor e defender soluções para realidades locais.E por que os candidatos do PMDB se deram tão bem nos dois turnos? Temer acredita que a alta votação, que se espraiou por todos os Estados, resultou de um trabalho sério de pacificação interna, "uma pacificação que se espalha, até as bases". Foi esse um dos elementos de sucesso, "além do mérito dos candidatos, que souberam escolher e defender propostas adequadas". Uma pacificação que, garante o presidente, inclui o PMDB paulista, onde Orestes Quércia faz a sua festa particular, pelo apoio decisivo que deu ao prefeito Gilberto Kassab. "O partido fica bem em São Paulo", avalia. "Nós deixamos para os diretórios municipais e estaduais a condução e solução de assuntos locais. As alianças foram feitas tendo em vista os interesses regionais. Nossa relação com o PMDB paulista é a melhor possível. Não há nenhum problema." E nem adianta antecipar as conversas sobre sucessão presidencial, onde as peças são outras. "As variáveis serão muitas, ao longo de 2009 e 2010. É prematuro falar agora do que pode acontecer até lá."Nas suas contas, foi por causa da municipalização da disputa que a força do presidente Lula ficou menor do que se esperava. "Nestes casos a figura de um presidente não é tão levada em conta." A reeleição acaba em plebiscito. "Vira uma consulta popular para se saber ser quem está no cargo foi bem ou não. Se foi, recebe um novo voto de confiança."

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