FOTO JF DIORIO /ESTADÃO
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'Na vida a gente paga pelos erros’, diz Lula

Segundo ex-presidente, no entanto, as falhas cometidas pelos companheiros não podem contaminar todo o partido

Ricardo Galhardo e Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2015 | 22h56

SÃO PAULO - No dia em que a Polícia Federal indiciou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto por envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que alguns petistas cometeram “erros” e disse que “na vida a gente paga pelo erro”.

Segundo Lula, no entanto, as falhas cometidas pelos companheiros não podem contaminar todo o partido. “O PT tem um milhão e não sei quantos mil filiados. É evidente que em uma família deste tamanho existe o risco de alguns companheiros terem cometido erros. Na vida, quando a gente comete erro a gente paga pelo erro. Temos defeitos, mas ninguém fez mais do que nós fizemos por este país”, disse Lula, ontem, na cerimônia de lançamento do Memorial da Democracia, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

Protestos. O ex-presidente classificou o momento atual como “delicadíssimo”. Para ele, as manifestações contra o PT e o governo Dilma Rousseff mostram uma “irracionalidade emocional da sociedade”. Lula, porém, separou os manifestantes em dois tipos e disse que o partido não pode reclamar de quem vai às ruas cobrar melhorias.

“A única coisa é que temos que medir as consequências, se nós estamos fazendo aquilo que nós nos propusemos a fazer. Se a gente está certo ou se tem alguma coisa para a gente fazer. E a gente tem que medir a pressão para saber por que eles estão se manifestando”, disse ele. A frase foi interpretada como um recado para Dilma.

O outro tipo de manifestante, segundo Lula, é aquele que sai de casa para pedir a volta dos militares ao poder, o fim das cotas nas universidades públicas e outros “retrocessos”. Para Lula, contra esse tipo de ato o PT tem de “pelejar”.

Lula ainda fez um ataque indireto ao ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. “Tem presidente que fez reunião enquanto era presidente com empresário para arrecadação. A imprensa finge que não ouve. Eu me recusei a discutir qualquer coisa para o meu mandato enquanto estivesse exercendo meu mandato de presidente da República”, disse o petista, em referência ao fato de FHC ter reunido empresários no Alvorada, no fim de seu mandato, para colher contribuições para o Instituto FHC.

Lula tem sido alvo de ataques após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviou a investigadores da Operação Lava Jato informações sobre doações de empreiteiras investigadas ao seu instituto.

À vontade no sindicato que foi seu berço político, Lula fez piada com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que era aguardado no evento mas não compareceu. “Haddad não compareceu. Vai ver ele está vindo a 50 km por hora. Ou então de bicicleta”, disse, em referência à redução da velocidades nas vias da cidade e às ciclovias - duas marcas da gestão do prefeito.


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