Alan Santos/PR
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Na véspera de CPI, Bolsonaro ameaça governadores e diz esperar ‘novo grito de independência’ do País

‘Não podemos admitir alguns pseudo-governadores quererem impor a ditadura no meio de vocês usando do vírus para subjugá-los’, afirma o presidente

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2021 | 14h02

BRASÍLIA – Na véspera da instalação da CPI da Covid, o presidente Jair Bolsonaro adotou tom de ameaça contra governadores que determinaram medidas para conter a propagação da doença. Em evento na Bahia, o presidente afirmou nesta segunda-feira, 26, que “está chegando a hora de o Brasil dar um novo grito de independência”.  

“Não podemos admitir alguns pseudo-governadores quererem impor a ditadura no meio de vocês usando do vírus para subjugá-los’, afirma o presidente”, afirmou Bolsonaro, durante evento em Feira de Santana (BA). O presidente foi até a cidade no interior baiano com ministros, seguranças e uma comitiva para a entrega de trecho de 22 quilômetros de duplicação da BR-101, que tem 168 quilômetros no total (58 deles duplicados).

Na semana passada, após seguidas declarações de que “seu Exército” não iria às ruas contra o povo, o chefe do Executivo disse que as Forças Armadas podem ir às ruas para “acabar com essa covardia de toque de recolher”. As tropas, de acordo com ele, fariam valer o artigo 5º da Constituição para garantir o direito.

Contrário às medidas de restrições adotadas para combater a crise sanitária, Bolsonaro tem adotado o confronto com governadores e prefeitos para tentar se eximir de responsabilidade pelo agravamento da crise sanitária no País. Inicialmente com foco apenas no governo federal, o Palácio do Planalto agiu para que o escopo da CPI da Covid no Senado fosse ampliado para também investigar gestores locais.

Além do boicote a medidas de isolamento social, recomendada por especialistas e órgãos de saúde como forma de se evitar a propagação do novo coronavírus, Bolsonaro desde o início minimizou a gravidade da doença, demorou a fechar acordos para a compra de vacinas e defendeu medicamentos sem eficácia comprovada.

“Não foi o governo federal que obrigou vocês a ficar em casa, não foi o governo que fechou o comércio, não foi o governo federal que destruiu milhões de empregos”, declarou o presidente. “Pode ter certeza, esse suplício está chegando ao fim. Brevemente voltaremos à normalidade com o apoio de todos”, afirmou, sem dizer como pretende acabar com as restrições de circulação impostas em diversas cidades do País.

Antes do evento, Bolsonaro foi filmado, sem máscara, cumprimentando apoiadores, que se aglomeraram apoiados em uma grade de proteção para ver o presidente. Num desrespeito às regras de trânsito, o presidente também percorreu trecho de uma rodovia com o corpo para fora do carro, que circulava com as portas abertas.

Mourão

Mais cedo, em live promovida pelo jornal Valor Econômico, o vice-presidente, Hamilton Mourão, atribuiu as falas de Bolsonaro sobre uso das Forças Armadas a possíveis distúrbios sociais causados pelas restrições de circulação. Ele, porém, admitiu desconhecer qualquer episódio neste sentido e disse achar “difícil que isso aconteça”.

“O que o presidente coloca muitas vezes é em relação a talvez algo que ele imagina ou tem outras informações, que eu não disponho, de iminência de graves distúrbios públicos. Ele sempre cita saques a supermercados, bloqueios de ruas, de avenidas, estradas, por uma população revoltada contra determinadas atitudes. Eu acho difícil que isso aconteça”, afirmou.

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