ANTONIO MOLINA/FOTOARENA
ANTONIO MOLINA/FOTOARENA

Na véspera de atos, grupo de apoiadores de Bolsonaro passa por bloqueio e invade Esplanada

Com faixas e bandeiras a favor do governo, manifestantes se dirigiram para áreas próximas aos prédios do Congresso e do Supremo Tribunal Federal

Weslley Galzo, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2021 | 22h44

BRASÍLIA - Um grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro furou o bloqueio de segurança montado pelo governo do Distrito Federal na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na noite desta segunda-feira, 6, e conseguiu entrar com carros e caminhões na Esplanada dos Ministérios, local onde ocorrerão as manifestações desta terça-feira, 7 de Setembro. Em vídeos divulgados por apoiadores do presidente, é possível ver as pessoas retirando barreiras que haviam sido colocadas e um início de confronto com a polícia. A circulação de veículos no local estava restrita desde a madrugada como medida preventiva. Apenas a passagem de pedestres estava permitida.

"Momento histórico do Brasil, a invasão em Brasília", diz um manifestante não identificado pela reportagem que filmou a ação do grupo. "Acabamos de invadir, a polícia não deu conta de segurar o povo. E nós vamos invadir o STF amanhã", afirma.  Com faixas e bandeiras a favor do governo, o grupo se dirigiu para áreas próximas aos prédios do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, dois dos principais alvos dos manifestantes, mas foi contido antes de chegar à Praça dos Três Poderes. A convocação dos atos têm caráter antidemocrático ao pedir o fechamento dos Poderes e a "tomada de poder" por Bolsonaro com ajuda das Forças Armadas.

Imagens da manifestação antecipada na Esplanada dos Ministério também mostram que houve um início de confronto entre os apoiadores do presidente e policiais, que tentaram dispersar o grupo usando spray de pimenta. Em um dos vídeos, um policial chega a sacar a arma enquanto é abordado por manifestantes. Em outro, algumas pessoas retiram grades de proteção colocadas para evitar que o ato chegue perto dos prédios do Congresso e do STF. Os caminhões e carros que invadiram o local ficaram concentrados próximo ao prédio do Itamaraty, um pouco antes de chegar à Praça dos Três Poderes.

Pelo Twitter, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, comemorou a entrada dos apoiadores na região da Esplanada. "Lindo ver Brasília ser tomada por pessoas de bem. Pessoas ordeiras, que só querem viver num país mais justo, mais livre e mais democrático. Tá bonito de ver!!! Viva o 07 de setembro!!!", escreveu, ao publicar um vídeo em que apoiadores do governo comemoram o rompimento do bloqueio policial por caminhões.

Após a invasão na noite desta segunda-feira, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e a ministra Damares Alves (Mulheres e Direitos Humanos), foram até a Esplanada tirar fotos com os manifestantes. Em seu Instagram, ele publicou vídeos que mostram aglomerações, pessoas na caçamba de caminhonetes. Pelas imagens, é possível observar que poucas pessoas usam máscaras para evitar a proliferação da covid-19. No Distrito Federal, o uso do equipamento de proteção em locais públicos é obrigatório por lei e quem for pego sem pode ser multado em até R$ 2 mil.   

Em nota, a Secretaria de Segurança do DF informou  que “manifestantes romperam barreiras de contenção colocadas na via para bloquear o trânsito de veículos” e que a Polícia Militar atuou para “restabelecer a situação”. “A Praça dos Três Poderes permanece interditada por gradil e linha de policiais”, conclui a nota.

A PMDF informou que todo o efetivo disponível estará empenhado na Esplanada dos Ministérios e nas imediações para fazer a segurança dos atos do dia 7 de Setembro. 

Além do contingente reforçado, os policiais farão uso de detectores de metal em linhas de revista pessoal para evitar que manifestantes armados tenham acesso ao à Esplanada. No dia 23 de agosto, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), alertou 24 governadores sobre a possibilidade de policiais militares irem com armas às ruas para atentar contra a democracia. Tropas especiais da PMDF estão escaladas para proteger a área e, caso seja necessário, devem reprimir ataques.

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