Na véspera da votação da denúncia, Temer tem agenda aberta para atuar 'sob demanda'

Além da agenda de despachos internos, presidente tem previsto jantar em casa de parlamentar conhecido por oferecer banquetes

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2017 | 09h17

BRASÍLIA - Com uma estratégia similar à da primeira denúncia, o presidente Michel Temer tem a agenda oficial apenas de despachos internos nesta terça-feira, 24, e deve abrir as portas de seu gabinete a parlamentares conforme for procurado. 

+++ Aliados dizem que Temer pode chegar a 270 votos na segunda denúncia

Além da agenda apenas de despachos internos até o momento, Temer foi convidado e deve comparecer nesta noite de terça a um jantar na casa do deputado Fabio Ramalho (PMDB-MG). Na véspera da votação da primeira denúncia, Temer foi até a casa do deputado mineiro - famoso por servir grandes banquetes - e chegou a ter que subir de escadas seis andares por causa de um elevador quebrado.

MAPEAMENTO 

Na segunda, 23, à noite, Temer reuniu líderes da base aliada no Palacio do Alvorada para fazer um levantamento da disposição da base em derrubar a denúncia por obstrução da Justiça e formação de quadrilha. Além de Temer, são foram denunciados os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

Conforme mostrou o Estado nesta terça-feira, 24, desde 14 de setembro, quando a Procuradoria-Geral da República apresentou a denúncia por organização criminosa e obstrução da Justiça contra Temer, o governo liberou quase R$ 829 milhões em emendas. Do valor total previsto para este ano, R$ 6,8 bilhões, o Planalto ainda tem cerca de R$ 1,6 bilhão para transferir aos parlamentares. Na primeira denúncia, quando o crime em questão era corrupção passiva, Temer obteve 263 votos a seu favor e contra o seguimento da acusação - 227 foram desfavoráveis ao presidente. O resultado da votação de quarta-feira será, na avaliação de aliados, um espelho da base de sustentação e governabilidade do peemedebista.

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