Na véspera, celebração religiosa

Para manter-se na presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) tem feito todo tipo de esforço. Ontem, presidiu uma sessão religiosa na Casa em homenagem à festa de Círio de Nazaré, maior celebração religiosa do Pará. Chegou até mesmo a posar ao lado da imagem de Nossa Senhora de Nazaré.Em troca, o presidente do Senado espera contar com os votos dos senadores paraenses Flexa Ribeiro (PSDB) e Papaléo Paes (PSDB) - que, apesar de ser eleito pelo Amapá, também é do Pará. Além disso, Renan abriu um dos salões do Congresso para os quitutes da culinária paraense e doou, por instantes, a cadeira de presidente para que Flexa Ribeiro comandasse os trabalhos. Por fim, para tentar assegurar o voto favorável do parlamentar tucano, chamou-o pelo menos cinco vezes de "meu querido". Como lhe cabia na ocasião, o arcebispo de Belém, d. Orani Tempesta, louvou Nossa Senhora de Nazaré - a santa da Justiça -, um dia antes da votação no plenário que definirá se Renan continua ou não com o mandato.É com esse afinco que o senador alagoano tem trabalhado para se manter na cadeira de comando, apesar de o Conselho de Ética do Senado ter recomendado a cassação de seu mandato, a partir de representação do PSOL por quebra de decoro parlamentar. Há 15 dias, quando Flexa Ribeiro vagava sem direção, em busca de apoio para a homenagem ao Círio de Nazaré, Renan quebrou a resistência da burocracia e ordenou a louvação. O parlamentar tucano não revelou seu voto, mas na "sacristia" do PSDB foi advertido de que seria um grave pecado político absolver Renan no julgamento de hoje. A Executiva Nacional tucana tratou também de chamar Papaléo e avisar que o partido não vai aceitar traições na votação de hoje. No entanto, a sessão secreta, com voto secreto, pode ser um convite à infidelidade. O problema é saber qual lado sofrerá mais defecções.

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