Na TV, Serra explora mais uma vez escândalo do mensalão

Tucano pregou ética na política e afirmou que as 'negociatas' aconteceram dentro do Palácio do Planalto

Daiene Cardoso - O Estado de S. Paulo,

19 de setembro de 2012 | 14h42

São Paulo, 19 - Empatado tecnicamente com o petista Fernando Haddad na corrida pela Prefeitura de São Paulo, o candidato do PSDB, José Serra, reforçou no programa do horário eleitoral gratuito na TV o julgamento do escândalo conhecido como mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a defesa pela ética na política. Ao mencionar as denúncias divulgadas pela revista Veja desta semana, como já tinha feito no horário eleitoral gratuito da última segunda-feira, 17, o tucano afirmou em seu programa que as "negociatas" envolvendo o maior escândalo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconteciam "dentro do Palácio do Planalto" e que é preciso rechaçar a prática "do submundo" da política.

Em quase um minuto de discurso, Serra ressaltou que "a imprensa está fazendo novas revelações, e elas dão conta de que as negociatas eram feitas dentro do Palácio do Planalto" e que o "volume de dinheiro" em negociação era "muito maior" do que o imaginado. "(O governo) atuava no submundo buscando vantagens, subornando políticos, influindo em eleições e no Congresso", acusou. "É preciso dizer não. Não a esse tipo de atuação política, que não tem ética nem tem limite. Nós precisamos dizer claramente que não aceitamos esse tipo de comportamento. A Justiça está fazendo a parte dela. Nós devemos fazer a nossa", enfatizou o candidato no final de seu programa.

Com um programa dedicado em sua maior parte à apresentação de propostas de governo, Serra prometeu dedicar parte do orçamento municipal para projetos voltado à infância e às mães com bebês de até 6 meses de idade. "Governo tem de ser para todos, mas as crianças merecem uma atenção especial", defendeu. O tucano ainda apareceu vestindo uma camiseta de um movimento por moradia e em cenas de campanha com a militância.

A campanha de Haddad repetiu o programa onde apresentou suas propostas para segurança, como investimento em iluminação pública, monitoramento por câmeras de vias públicas. A propaganda petista citou exemplos de sucesso no combate à criminalidade, como as cidades de Nova York, Medellín (Colômbia) e o Rio de Janeiro, e criticou a operação realizada em conjunto pela atual gestão

municipal e o governo estadual na Cracolândia. No final, o programa mostrou imagens de comícios de Haddad com o ex-presidente Lula e a ministra da Cultura Marta Suplicy. A última cena foi a de cidadãos comuns desenhando o formato da estrela do PT com Haddad, Lula e a presidente Dilma Rousseff.

O peemedebista Gabriel Chalita explorou na TV trechos da atuação do candidato no debate promovido na última segunda-feira (17) pelo Estadão/TV Cultura/Youtube e se autointitulou vencedor do debate. "Chalita é o melhor candidato", dizia o narrador. Já o líder das pesquisas de intenção de voto, Celso Russomanno (PRB), prometeu oferecer acesso à internet para moradores da periferia e educação de qualidade. "O jovem não tem internet em casa, não tem escola de qualidade. O que a gente quer é inverter esse processo", afirmou.

Soninha Francine (PPS) fez um resumo de suas propostas apresentadas nos últimos programas. Paulo Pereira da Silva (PDT) voltou a prometer que, se eleito, reduzirá os impostos de empresas que queiram se instalar na periferia. José Maria Eymael (PSDC) disse que, enquanto deputado federal, foi "o que mais fez pelo trabalhador". Levy Fidelix (PRTB) disse que pretende reduzir a tarifa de ônibus de R$ 3 para R$ 2 e aumentar a duração do bilhete único de três para seis horas. "Em meu governo, ninguém mais vai ser transportado em lata de sardinha", garantiu.

Ana Luiza Figueiredo (PSTU) usou seu tempo de programa para apoiar as paralisações de bancários e de funcionários dos Correios. Miguel Manso (PPL) apresentou sua proposta para saneamento básico e Anai Caproni (PCO) voltou a criticar o "caos na administração de São Paulo".

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