Na TV, Dilma e Lula fazem dueto dos '10 anos' e 'segundo grande salto'

Peça buscou criar vacinas para críticas ao serviço público que vem sendo feitas por potenciais adversários da presidente

Fernando Gallo, O Estado de S. Paulo

09 de maio de 2013 | 22h17

SÃO PAULO - Numa espécie de dueto da presidente Dilma Rousseff com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT usou seu programa desta quinta-feira, 9, na TV para celebrar as conquistas sociais e econômicas do País nos últimos dez anos, reconhecer que "ainda há uma boa parte da população brasileira que não está preparada para um mundo desenvolvido" e assumir o compromisso de que, depois da superação da pobreza, a "obrigação" do governo petista é "consolidar o Brasil como um grande País de classe média".

A peça, criada pelo marqueteiro oficial do petismo, João Santana, buscou criar vacinas para as críticas ao serviço público que vem sendo feitas por potenciais adversários de Dilma. Há uma clara mudança de retórica política: apesar de enfatizarem a importância do fim da miséria e diminuição da pobreza como a principal conquista da década petista no poder, Lula e Dilma concentraram o discurso sobre os desafios futuros.

"A questão básica agora é a qualidade. Não basta ter uma economia dinâmica. Educação, saúde, segurança, aliás, todos os serviços públicos têm que estar à altura do novo Brasil", afirmou a presidente, para repetir mais à frente. "O desenvolvimento (do Brasil) só será completo no dia em que cada brasileiro tiver saúde, educação e segurança de qualidade".

O programa apresenta a nova etapa como "o segundo grande salto brasileiro" e o "salto mais definitivo da nossa história".

A nova retórica busca englobar um dos pontos principais do discurso que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), vem usando para criticar o governo: o de que o cidadão brasileiro mais pobre se tornou um consumidor, e tem hoje acesso a bens materiais, mas o governo não consegue fornecer a ele serviços públicos suficientemente bons.

No jogral, Lula e Dilma afirmam: "Os brasileiros já aprenderam que é possível ter sempre mais. Depois da geladeira, a casinha, o carro, a casa mais confortável, com transporte, posto de saúde e escola perto. O curso médio, a universidade, depois o doutorado no exterior. Nosso governo também aprendeu com o Brasil e os brasileiros que é possível fazer cada vez mais e melhor".

Despreparo. Como diagnóstico daquilo em que o Brasil não avançou durante o governo petista, a presidente sustenta na peça publicitária que "ainda há uma boa parte da população que não está preparada para um mundo cada vez mais desenvolvido e altamente competitivo".

Ela apresenta como solução o aprimoramento da qualidade da educação e da formação profissional.

Os ministros petistas de seu governo também aparecem contando as prioridades de suas respectivas áreas. Aloizio Mercadante, da Educação, fala do investimento em creches, educação em tempo integral, escolas técnicas e bolsas no exterior. Alexandre Padilha, da Saúde, cita a construção de Unidades de Pronto Atendimento (Upa), do aumento da distribuição de remédios gratuitos e da intensificação da contratação de médicos e da distribuição dos mesmos pelo País. Marta Suplicy, da Cultura, versa sobre o Vale Cultura.

Inflação. Guido Mantega, da Fazenda, faz defesa forte do combate "implacável" da inflação. "O governo não vai deixar jamais que os preços fujam do controle", assegura. Ele diz que é a inflação da última década é a mais baixa dos últimos 50 anos.

O programa ainda apresenta projetos de infraestrutura para ampliar e duplicar rodovias; construir ferrovias, portos, aeroportos e estádios para a Copa do Mundo; e também para garantir o abastecimento energético, como hidrelétricas e energia eólica.

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